Franco-brasileiro fica com bronze e critica falta de apoio

MARCEL MERGUIZO, ENVIADO ESPECIAL
TORONTO, CANADÁ (FOLHAPRESS) – Ele não fala português. Mas conquistou um bronze para o Brasil nesta quarta-feira (22), no Pan de Toronto, e depois, reclamou a falta de apoio no país.
Ghislain Perrier, 28, foi adotado por uma família de franceses aos dois anos de idade, em Fortaleza (CE), onde nasceu. Até hoje não conhece seus pais biológicos, assim como não conhece muito mais do que “obrigado” e “eu sou muito contente com essa medalha”.
Mas sabe bem como lidar com o florete, arma pela qual competiu pela França até não ir para a Olimpíada de Londres-2012. Foi quando decidiu competir pelo Brasil, pensando nos Jogos Olímpicos do Rio, em 2016.
No Pan de Toronto, o franco-brasileiro avançou à semifinal após duas vitórias, mas perdeu por 15 a 12 para o norte-americano Gerek Meinhardt, 24. O rival foi, há duas semanas, terceiro colocado no Mundial de Moscou, na Rússia.
Em Jogos Pan-Americanos, o Brasil não conquista uma medalha de ouro desde o Pan de Winnipeg-1967, quando Arthur Telles foi campeão. A única até hoje na história do país. Mas em Toronto já igualou sua melhor participação, com três bronzes.
Perrier ainda mora na França, nos arredores de Paris. Há cerca de dois anos passou a defender o Esporte Clube Pinheiros, de São Paulo, e a seleção brasileira.
Na terça-feira (21), outra atleta “importada” pelo Brasil nos últimos anos ganhou a medalha de bronze. Nathalie Moellhausen, 29, italiana com cidadania brasileira, conquistou o bronze na espada.
Mas Ghislain não está totalmente contente com o Brasil.
“Espero que essa medalha faça eles olharem diferente por mim. Não recebo o mesmo apoio que os outros atletas, e sou o número um do país”, reclama o esgrimista.
Ele ganha cerca de R$ 4.000 da Confederação Brasileira de Esgrima (CBE), mas não tem o apoio da Petrobras, ao contrário de outros atletas da seleção.
“A Petrobras se recusa a conceder-me porque eu sou o melhor atleta do Brasil em florete, mas eu aprendi esgrima na França. Isso é totalmente discriminatório, eu sou brasileiro, nasci em Fortaleza, eu tenho um CPF brasileiro, passaporte e até mesmo uma conta bancária”, afirmou à Folha de S.Paulo antes da disputa no Pan.
Segundo a Petrobras, Ghislain está fora do programa de apoio da empresa porque ele visa investir no “desenvolvimento de atletas brasileiros que careciam de recursos para seu aprimoramento técnico”.
A justificativa da Petrobras em relação a Perrier é que “face sua vida esportiva ter sido toda trilhada na França, ou seja, polo de referencia mundial da modalidade, era de que ele não se enquadrava a esse fundamento do programa de desenvolvimento”.
Em contato com a Folha de S.Paulo antes do Pan, Perrier também reclamou do Pinheiros.
“O clube não me ajuda. Ele é feliz em falar dos meus resultados na imprensa ou nas redes sociais, mas isso não me ajuda em nada”, disse.
“Nathalie está na mesma situação. O clube Pinheiros nos considera como brasileiro ou estrangeiro?”, questionou. “Enquanto isso, outros atletas de nível inferior têm bolsas”, reclamou.
Em resposta, o Pinheiros disse que “como os demais atletas do clube, ele pode usufruir da estrutura do Pinheiros para treinamento e preparação. Desconhecemos e não fomos notificados oficialmente sobre qualquer descontentamento do atleta em questão.”

Clique para comentar

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Para cima