Fui o precursor da história, diz irmão de Mineirinho

ÉDER FANTONI, ENVIADO ESPECIAL

GUARUJÁ, SP (FOLHAPRESS) – Angelo de Souza, 40, não estava na praia de Pipeline, no Havaí, para ver o irmão Adriano de Souza, o Mineirinho, 28, se sagrar campeão mundial de surfe pela primeira vez na sua carreira.

Porém, mesmo longe, mais precisamente em Guarujá, litoral de São Paulo, onde o surfista nasceu, ele sabe que contribuiu e muito para a conquista.

Foi Angelo que comprou a primeira prancha para Mineirinho, quando ele tinha apenas 7 anos. Gastou R$ 30.

Pouco? Não naquela época, segundo Angelo, que tem o apelido de Mineiro por ser quieto e é policial militar ambiental.

“Posso dizer que fui o precursor de toda essa história. Não sou o responsável pelo título, mas fui uma peça importante”, disse Angelo.

“Ele usava uma prancha minha, que era pesada. Naquela época, nossa situação não era tão fácil, então fiz um esforço e paguei R$ 30. Fez falta, mas valeu a pena”, afirmou.

Mineirinho cresceu na favela Santo Antônio, no Guarujá.

O intuito de Angelo era deixar o garoto longe das ruas.

“A gente sabia que tínhamos fácil acesso às drogas e a outras coisas ruins e temíamos que ele pudesse escolher um caminho errado, como muitos outros fizeram. Foi por isso que eu insistia em leva-lo para surfar”, disse.

Angelo nem viu o irmão ser campeão, pois estava trabalhando. Até agora, só trocaram algumas mensagens pelo WhatsApp.

O que não falta, agora, são elogios. Não apenas pelo título.

“Ele merece ser reconhecido pelo caráter dele, pelo respeito que ele tem e pela persistência. Independentemente do título, ele será sempre um herói para mim”, disse Angelo.

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