Ginasta desmarcou casamento e fechou escolinha para ser ouro no Pan

PAULO ROBERTO CONDE, ENVIADO ESPECIAL
TORONTO, CANADÁ (FOLHAPRESS) – A ginasta Ana Paula Ribeiro, 26, fez uma aposta arriscada há três meses. Neste sábado (18), em Toronto, recebeu a recompensa.
Ela e outras cinco atletas da equipe brasileira de ginástica rítmica se sagraram pentacampeãs dos Jogos Pan-Americanos ao obter a nota total de 30.233 após a rotação final, nesta tarde – a primeira ocorreu na sexta-feira (17). Os Estados Unidos foram vice-campeões (29.275) e Cuba, terceiro (25.692).
A grande triunfante do dia foi Ana Paula.
Ela se juntou à seleção brasileira permanente, que fica em Aracaju, em abril. Deixou para trás muita coisa: desmarcou o casamento, que já tinha data certa. “Não sei quanto vai acontecer, mas acho que só depois da Olimpíada.”
Também encerrou uma escolinha de ginástica com 50 alunas que mantinha em Guarapari, no Espírito Santo, seu Estado natal.
“Estava quase deixando de vez o esporte quando surgiu a chance de ir para a seleção permanente. Tenho 26 anos, não sou nova para a ginástica”, afirmou a atleta, que competiu pela primeira vez como titular no Pan. Ela havia sido reserva no Pan do Rio-2007.
DOENÇA DA MÃE
Esse retorno recente à seleção ocorreu depois de um hiato de praticamente quatro anos. Em 2011, Ana Paulo foi forçada a deixar o grupo para ajudar a mãe, que sofria de esclerose múltipla. “Abandonei a seleção para ficar com ela.”
No meio tempo, até manteve-se na ativa, mas treinando no máximo três vezes por semana, e mais por lazer que por obrigação. Seu principal ofício era cuidar da escolinha que tinha.
Depois de receber o chamado para voltar para a equipe nacional e compor o grupo, sua rotina mudou drasticamente. “Somos dez atletas que dividem dois apartamentos em Aracaju. Treinamos das 8h às 21h, todos os dias, sem falta”, contou.
Ela jura que o noivo entende a situação e não protesta. “Nós viemos ao Pan porque precisávamos manter essa hegemonia brasileira. Tínhamos essa responsabilidade.”
Agora, a exigência é ainda maior: brilhar nos Jogos do Rio-2016. Para Londres-2012, a equipe não se classificou, mas neste momento a expectativa é outra.
Para alguém acostumada a riscos, ela aceita o desafio.
“Uma medalha é bastante difícil. Mas é possível”, disparou.

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