Indiferença de Tite e mimos de Nobre fizeram Dracena escolher o Palmeiras

Dassler Marques e Pedro Lopes

SÃO PAULO, SP (UOL/FOLHAPRESS) – Uma conversa séria, franca e direta com Tite aparou arestas. Mas a relação de Edu Dracena com o treinador do Corinthians foi fria durante toda a temporada. A ponto de fazer o zagueiro de 33 anos, insatisfeito com o banco de reservas , desafiar a maior rivalidade do futebol paulista e se transformar em reforço do Palmeiras para a Copa Libertadores 2016.

O esforço de Paulo Nobre e Alexandre Mattos por sua contratação mexeram com Dracena. O presidente palmeirense ligou diretamente a Roberto de Andrade para declarar interesse no zagueiro veterano. Mattos, por sua vez, apresentou o plano: deixar a condição de coadjuvante no rival para virar titular na defesa de Marcelo Oliveira, que abriu mão de Jackson.

Reserva no Corinthians e com contrato até dezembro de 2016, Edu Dracena recebeu do Palmeiras oferta por dois anos e a promessa de que o salário de R$ 280 mil seria mantido. Os representantes de Dracena ainda abordaram o presidente corintiano, mas Roberto não aceitou renovar por uma temporada a mais uma relação que não era exatamente boa.

A trajetória de Edu Dracena tem paralelos com a história de Luiz Fabi, autor do primeiro gol da história do Corinthians em 1910. Com origens italianas e reserva no Parque São Jorge, Fabi se mudou para o clube onde já atuava seu irmão, Matturo. Estava insatisfeito porque havia virado um reserva corintiano e vislumbrou uma equipe ligada às suas raízes. Dracena, curiosamente, tem cidadania italiana.

Ao longo do ano, ele se considerou pouco prestigiado pelo treinador. Na avaliação de Edu, havia certo privilégio a Felipe, espécie de pupilo do chefe. Achou, ainda, que faltou coerência por parte de Tite: quando Felipe se tornou reserva após a Copa Libertadores, ambos foram chamados pelo treinador para justificar a escolha. Semanas depois, Dracena saiu do time e o antigo titular voltou. Desta vez, não houve nenhuma reunião.

Na sequência desse episódio, Dracena procurou Tite e conversou, de forma franca, a respeito de sua situação no Corinthians. A relação entre eles melhorou a partir daí, mas o zagueiro voltou a ficar frustrado por não jogar na Copa do Brasil contra o Santos. Mesmo desgastados, os titulares foram escolhidos por desejo da diretoria, o que deixou suplentes experientes irritados. Ao fim do Brasileirão, Tite ainda agradeceu Edu publicamente por aceitar o banco de reservas sem criar grandes problemas.

Curiosamente, em dezembro de 2014, Edu Dracena optou pelo Corinthians em detrimento de um convite para trabalhar com Marcelo Oliveira e Alexandre Mattos no Cruzeiro. No próximo ano, na última etapa de sua carreira, reencontrará a dupla no Palmeiras.

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