Juro curto fecha na mínima histórica e longo recua com temor de coronavírus

O juro curto renovou a mínima histórica na sessão regular desta segunda-feira, 27, à medida que se consolida a percepção de corte de 0,25 ponto porcentual da Selic na reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) da semana que vem. As apostas de redução agora estão em 80%, na esteira de dados recentes de inflação, atividade e do tom do discurso do presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto. Com maior impacto nos mercados acionário e cambial, o temor com o alastramento do coronavírus também influenciou a baixa das taxas de médio e longo dos juros futuros, em meio ao debate sobre o impacto da doença no crescimento mundial.

A taxa do Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2021 caiu de 4,350% no ajuste de sexta-feira para 4,320% nas sessões regular e estendida, renovando a mínima histórica de quarta-feira passada (4,340%).

Hoje cedo, a mediana para as projeções da Selic no Relatório de Mercado Focus, do BC, no fim de 2020 passou de 4,50% para 4,25%. Ancoram esta percepção a visão do mercado de que o choque de proteínas ficou concentrado em dezembro e que a atividade econômica não se mostrou tão robusta no fim de 2019 quanto anteriormente previsto por analistas, bem como falas recentes de Campos Neto.

Com o movimento de hoje no mercado de DI, nos cálculos do economista-chefe do Haitong Banco de Investimento, Flavio Serrano, a chance de a Selic ser reduzida para 4,25% na quarta-feira que vem é de 80%.

Apesar de abrirem com viés de alta com a fuga do risco, os demais vencimentos da curva do DI se ajustaram para baixo ao longo da tarde.

A taxa do DI para janeiro de 2023 caiu de 5,560% no ajuste de ontem para 5,510% (regular) e 5,500% (estendida). O janeiro 2025 cedeu de 6,300% para 6,270% (regular) e 6,280% (estendida). E o janeiro 2027 recuou de 6,680% para 6,660% (regular) e cedeu levemente para 6,690% na estendida.

Este viés de queda nos vencimentos curto e longo se amparou na percepção de que o surto de coronavírus deve impactar a atividade econômica da China e, consequentemente, mundial. Esse temor chegou a inverter, por boa parte da sessão, a curva de rendimentos de 2 e 5 anos dos títulos do Tesouro americano.

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