Lavouras de milho e trigo devem ter queda no pós-chuva

As fortes chuvas dos últimos dias ocasionaram estragos em diversos municípios do Estado, e interromperam o manejo e a colheita das lavouras de milho.

Aliás, milho e trigo são as maiores preocupações em desempenho de culturas, principalmente por estarem bastante suscetíveis às condições climáticas nesse momento do ciclo.

Divulgação

Na microrregião, metade da área plantada de milho segunda safra ainda esta nas lavouras

Mesmo a Seab (Secretaria da Agricultura e do Abastecimento), por meio do Deral (Departamento de Economia Rural) afirmando que, por enquanto, não há indícios de perdas na produção em decorrência das chuvas, e que o principal receio é o da redução da qualidade dos grãos, o que pode impactar nos preços recebidos pelos produtores, o chefe da unidade da Seab de Pato Branco Ivano Carniel aponta os primeiros indicativos de perdas.

Segundo Carniel na microrregião de Pato Branco, 4,7 mil hectares foram destinados à produção de milho segunda safra, que mesmo antes das chuvas já tinha sito colhido cerca de 50%. Em média as lavouras colhidas antes da chuva estavam apresentando 6,5 mil quilos por hectare, realidade que não se repetir nesse período pós chuvas.

Para Carniel, os quase 50% das lavouras de milho ainda a serem colhidas podem sofrer as consequências do grande volume de água. Já temos registros de lavouras que estão perdendo a qualidade do grão, afirmou o chefe do escritório de Pato Branco, apontando que o milho ardido é impróprio para a produção de ração, e que resultam em grande quantidade de descontos para os produtores.

Avaliando a produção paranaense, segundo o Deral, 25% do milho segunda safra foi colhido no Estado.

Segundo o analista da cultura de milho do Deral, Edmar Gervasio, as chuvas tiveram impacto pontuais, mas preocupação é com o excesso de umidade do grão, o que aumenta as chances de desenvolvimento de doenças.
O produtor também terá que aumentar gastos com secagem do grão. O excesso de umidade deve comprometer a qualidade e pode afetar os preços pagos ao produtor, aponta Gervasio.

Trigo

A situação é de alerta. As chuvas não são boas para o trigo, principalmente nessa fase, diz Carlos Hugo Coutinho, engenheiro agrônomo do Deral, ao apontar que cerca de 40% da área plantada de trigo no Estado está em fase de floração e frutificação. Contudo, esta ainda não é a realidade das lavouras do Sudoeste, que até o presente momento estão com a cultura nos primeiros estágios.

Carniel revela que da safra 2014 para a 2015, a cultura já teve uma queda considerável na área de produção, — 99 mil hectares em 2014 para 68,7 mil hectares para a safra 2015 —, e que cerca de 5% da área destinada para a cultura ainda não foi plantada na microrregião de Pato Branco.

O técnico agrícola e chefe do escritório local, aponta que ao contrário de outras regiões onde a floração e a frutificação estão sendo prejudicadas, a cultura sofre no primeiro estágio.

O grande problema a ser enfrentado agora é que o investimento feito na correção de solo e o excesso de chuva acaba retirando das lavouras todos os nutrientes, pontua Carniel, destacando ser muito difícil antecipar as perdas da cultura na regional.

Se for confirmada a perda da qualidade do trigo, o produtor poderá ter que encarar preços menores no mercado e dificuldade para vender o trigo para panificação. Para o agricultor a preocupação é maior também porque ele já vem enfrentando aumento de custos com sementes e adubação nessa safra.

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