Lesão, suspensão e doping tiram astros da natação do Mundial de Kazan

PAULO ROBERTO CONDE, ENVIADO ESPECIAL
KAZAN, RÚSSIA (FOLHAPRESS) – A promessa é de que a Arena Kazan, estádio de futebol transformado em centro aquático para 12 mil pessoas, verá um dos Mundiais mais fortes de todos os tempos, com recordes e uma expectativa crescente em relação à Rio-2016.
As provas de natação, que começam neste domingo (2) e terminam no próximo (9), porém, terão desfalques importantes; que, se não prejudicam o nível da competição, tiram um pouco do brilho.
A ausência mais sentida é do maior medalhista olímpico e mundial de todos os tempos. Michael Phelps, 30, não está na competição por causa de uma suspensão que recebeu da federação de seu país em setembro do ano passado.
A sanção ao norte-americano até foi cumprida a tempo de ele ir a Kazan, mas foi tomada uma decisão conjunta de que ele não deveria participar -a federação internacional de natação cogitou convidá-lo para ir a Kazan, mas não houve acordo.
Dono de 22 pódios olímpicos (dos quais 18 ouros) e 33 em Mundiais (26 ouros), ele vai dedicar sua preparação para os Jogos Olímpicos do Rio-2016.
Phelps não é o único ícone olímpico a ficar fora. Campeão olímpico do revezamento 4 x 100 m e dos 200 m livre, o francês Yannick Agnel, 23, abdicou por causa de uma infecção no pulmão.
O corpo também cobrou anos de treino do australiano James Magnussen, 24. Dono dos 100 m livre nos Mundiais de Xangai-2011 e Barcelona-2013 e vice-campeão olímpico da distância, ele retirou seu nome da lista de inscrição devido a uma lesão crônica no ombro esquerdo.
A saída do “Míssil”, como Magnussen é conhecido, abriu uma nova perspectiva para um de seus compatriotas.
“Sem James, estatisticamente aumenta minha chance de conseguir um bom resultado. Mas isso também é verdade em relação a todos os outros. Abre chances a todos e fica difícil apontar algum favorito”, afirmou o australiano Cameron McEvoy, terceiro no ranking mundial dos 100 m livre nesta temporada (48s06), nesta quinta-feira (30).
Um que pode se beneficiar da ausência de outro lesionado, o versátil japonês Kosuke Hagino, 20, é o brasileiro Thiago Pereira.
Hagino, bronze nos 400 m medley nos Jogos de Londres-2012 -atrás de Pereira-, era favorito para dominar as provas de medley em Kazan, mas sofreu uma fratura no cotovelo no mês passado.
Apesar disso, o páreo não será fácil para o brasileiro, que deve duelar com o norte-americano Ryan Lochte, o húngaro Laszlo Cseh e o compatriota Henrique Rodrigues, entre outros, por um lugar no pódio.
Outra baixa de última hora foi da espanhola Mireia Belmonte, 24, detentora de duas pratas nos Jogos de Londres-2012, que optou por ficar em seu país para se tratar de uma bursite.
Houve desistências que não envolveram lesões, mas doping. O sul-coreano Park Tae Hwan, 25, campeão olímpico dos 400 m livre em Pequim-2008 e duas vezes vice em Londres, está afastado por uso de substância ilegal.
Mesmo sem tais atletas na linha de frente, o Mundial de Kazan tem astros do primeiro escalão como Missy Franklin e Katie Ledecky, dos Estados Unidos, Cesar Cielo, e a volta do australiano Grant Hackett, bi olímpico dos 1.500 m livre, que volta a disputar a competição após oito anos.

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