Maduro anuncia reforma de gabinete e ameaça quem votou na oposição

O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, anunciou na noite desta terça-feira (8) que vai reformar seu gabinete em resposta à contundente vitória da oposição no pleito parlamentar deste domingo (6) e criticou eleitores pela falta de apoio.

“Pedi ao conselho de ministros que ponham seus cargos à disposição para fazer um processo de reestruturação e renovação profunda de todo o governo nacional”, disse o presidente em seu programa semanal de rádio e TV, “Contato com Maduro”.

Foi uma das primeiras medidas anunciadas pelo presidente depois que o órgão eleitoral (CNE) oficializou, horas antes, que a coalizão opositora MUD (Mesa da Unidade Democrática) obteve maioria qualificada de dois terços.

A coalizão MUD obteve 109 cadeiras, às quais se somam as três da cota de representantes indígenas -todos eles alinhados com a oposição.

A aliança chavista Grande Polo Patriótico obteve 55 assentos, praticamente metade do número que possui na atual legislatura. A Assembleia Nacional venezuelana, Parlamento unicameral, tem ao todo 167 cadeiras.

Maduro prometeu usar todo o peso dos poderes Executivo e Judiciário, sob seu controle, para resistir a planos opositores de aproveitar as amplas prerrogativas da maioria qualificada para alterar os rumos do governo.

No plano político, o presidente prometeu vetar o projeto de lei da oposição para anistiar dezenas de políticos e estudantes presos sob acusação de instigar violentos protestos no ano passado.

Ele também disse que vai resistir aos planos de alguns setores direitistas de convocar um referendo revogatório para derrubá-lo a partir de 2016.

“O povo e as Forças Armadas saberão o que fazer comigo”, disse.

Na área econômica, ele acusou a oposição de querer acabar com os direitos dos trabalhadores e disse que vai adotar um decreto para garantir a “estabilidade trabalhista” até 2019.

“Ganharam os maus […]. Esta é uma Assembleia Nacional contrarrevolucionária”, afirmou.

Numa atitude surpreendente, Maduro criticou os eleitores dos setores populares decepcionados pelo chavismo que acabaram votando pela oposição. “Entendo esse voto, mas foi um erro. Um voto contra vocês mesmos”, disse.

CHANTAGEM

“Eu tinha a meta de construir 4 milhões de casas populares, mas agora não sei. Pedi o seu apoio e você não me deu”, afirmou, apontando o dedo para câmera.

“Um tablet custa 300 mil bolívares na loja [US$ 350, na cotação paralela]. Mas eu, meu querido, te entrego de graça. Não sei se isso continuará sendo possível agora”, afirmou, numa referência ao programa de governo de distribuição de material informático nas escolas.

Segundo pesquisas, a maioria dos venezuelanos culpa o governo, não uma suposta “guerra econômica” travada pelos empresários, pela grave crise econômica e pelo desabastecimento generalizado no país.

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