Mapa tem data marcada para fechar as portas em Pato Branco

Dois documentos assinados por Daniel Gonçalves Filho, superintendente Federal da Agricultura no Paraná, órgão vinculado ao Mapa (Ministério da Agricultura e Pecuária), apontam para o fechamento da Utra (Unidade Técnica Regional de Agricultura, Pecuária e Abastecimento) de Pato Branco.

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Legenda

A unidade, instalada em junho de 2008, é a que há mais tempo está em atividade na região, contudo, foi a escolhida para encerrar as atividades, ao passo que a de Francisco Beltrão, implementada em novembro de 2011, deve abrigar os servidores federais a contar de segunda-feira (21).

Segundo o chefe interino da Utra de Pato Branco, Diego Ghidini Gheller, desde outubro de 2015 vinha sendo cogitada a possibilidade de fechamento de unidades do Ministério no Paraná, porém, até então não havia sido mencionado a regional de Pato Branco.

De acordo com a circular expedida na quinta-feira (3) pela SFA-PR (Superintendência Federal da Agricultura do Paraná), o fechamento da unidade segue diretrizes da nova governança do Mapa.

O documento aponta como possíveis justificativas a readequação da distribuição das unidades descentralizadas e da força de trabalho em função das demandas e capacidade de atendimento; regularização da frota de veículos, com o desfazimento de veículos inservíveis; a reversão à SPU dos imóveis sem utilização pela SFA-PR; o fortalecimento da estrutura técnico/administrativa da Superintendência para incorporação de atividades de pesca; e a consequente redução de despesas desta SFA-PR.

Já na segunda-feira (7), por meio de memorando, os servidores da Utra de Pato Branco foram informados que os trabalhos da unidade passam a acontecer a partir do dia 21 deste mês em Francisco Beltrão.

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A mesma notificação informa que o setor de Material e Patrimônio iniciará levantamento de patrimonial. Quanto ao acervo documental, providenciaremos o transporte destes à Unidade Técnica Regional de Agricultura, Pecuária e Abastecimento de Francisco Beltrão, a qual assumirá todas as ações, diz o documento.

Estrutura

Segundo Gheller, atualmente atendem a microrregião de Pato Branco sete servidores, sendo um servidor municipal. O chefe interino também comentou que as despesas físicas são mantidas pelo município. Em levantamento junto à Secretaria de Administração e Finanças de Pato Branco, foi identificado o pagamento de aluguel de R$ 1.100,19 e despesas com água média de R$ 100 e energia de R$ 150.

O Ministério arca em Pato Branco com o salário dos servidores federais, combustível e manutenção dos veículos, explica Gheller.

Atividades

Conforme Gheller, o trabalho da unidade é de atendimento de agricultores e empresários voltados ao agronegócio da microrregião de Pato Branco, no entanto, por ter sido a primeira unidade do Sudoeste, frequentemente pessoas da microrregião de Francisco Beltrão também são atendidas.

Em um levantamento preliminar, a unidade encaminha uma média de dez novos processos mensais, é responsável pela fiscalização de cerca de 40 fábricas de ração, cinco frigoríficos/abatedouros e dez laticínios. Também são atendidos segundo Gheller, aproximadamente 20 empresas beneficiadoras de grãos.

O chefe interino afirma que uma das grandes perdas da unidade deverá ser sentida pelos agricultores, uma vez que somente em 2015, foram efetuados no escritório de Pato Branco cerca de 1.200 registros de sementes de uso próprio.

O registro de semente de uso próprio permite ao agricultor o financiamento bancário e seguro agrícola, explica Gheller.

Mobilização

Diário do Sudoeste

Vice-presidente da Faep (Federação da Agricultura do Estado do Paraná) e presidente da Assinepar (Associação dos Sindicatos Rurais do Sudoeste do Paraná), Oradi Caldato, lamentou a postura da SFA-PR. Somente vai causar transtornos, em especial para o agricultor que luta com tanta   dificuldade.

De acordo com Caldato, o Governo luta com as forças que tem para matar a galinha dos ovos de ouro, ao se referir ao agronegócio.

Fechando essa unidade, ele (Governo) não terá nenhuma economia, afirmou, lembrando que as despesas de aluguel, água e luz são mantidas pelo município de Pato Branco.

Caldato também afirmou que desde que as entidades locais tomaram conhecimento da possibilidade de fechamento do escritório passaram a se mobilizar junto a representantes regionais.

Critérios

Procurado pela reportagem, o superintendente Daniel Gonçalves Filho afirmou, por meio da assessoria da SFA-PR, que somente deve se pronunciar nesta quinta-feira (10), relatando os critérios observados para o fechamento da unidade de Pato Branco.

Aguardada por lideranças que pretendiam conversar com a ministra Kátia Abreu na sexta-feira (11) na Expobel em Francisco Beltrão, a assessoria do Mapa-PR afirmou que em contato com Brasília a presença não foi confirmada.

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