Mineirinho diz que jovens aprendem em 6 meses o que ele demorou 5 anos

ÉDER FANTONI

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – Adriano de Souza, o Mineirinho, 28, é o mais velho da nova geração de surfistas do país. Nesta terça-feira (22), logo após desembarcar em São Paulo, o campeão mundial ressaltou a diferença de preparação da época em que começou a sua carreira em relação ao que se aprende agora.

“O que eu demorei cinco anos para aprender, essa nova molecada que está aí agora aprende em seis meses. É por isso que as coisas foram mais dolorosas e sofridas para mim. Eu demorei mais para aprender, mas foi o suficiente para ser campeão mundial”, disse Mineirinho durante entrevista na sede de um dos seus patrocinadores, em São Paulo.

O surfista, que conquistou o título mundial na última quinta-feira (17), na praia de Pipeline, no Havaí, se refere aos recursos que os surfistas de hoje possuem. Desde pequeno, eles já têm oportunidade de viajar para os lugares com as melhores ondas, como Havaí e Austrália, aprendem inglês e ganham preparação física.

Mineirinho foi um dos primeiros a receber esse tipo de tratamento.

“Nós vemos, hoje, uma grande evolução no surfe. Temos que ressaltar os pioneiros do surfe no Brasil. Eles deixaram alguns buracos. Claro, eles não sabiam como chegar [a um título mundial], mas eles traçaram o caminho. E essa nova geração tapou esse buraco. A gente deve muito a eles [os pioneiros]. Viraram referência”, afirmou.

Mineirinho disputou o Mundial pela primeira vez em 2006 e ficou em quinto lugar em três ocasiões (em 2009, 2011 e 2012).

O surfista ressaltou que se espelhou em Gabriel Medina, 22, campeão do mundo em 2014, e em outros dois estrangeiros para conquistar o título deste ano.

“O [Mick] Fanning é o cara mais forte mentalmente. Já passou por diversos problemas pessoais e, mesmo assim, não se abalou. O [Kelly] Slater é como o vinho. Quanto mais velho, melhor. E tem o Gabriel [Medina], que mostrou que era possível [ser campeão]. Eu peguei um pouco de cada um desses atletas”, disse Mineirinho.

O surfista contou que chegar ao Havaí na terceira posição do ranking o ajudou a surfar sem pressão. O paulista Filipe Toledo era o segundo colocado, enquanto Fanning liderava.

“A pressão estava no Fanning e no Toledo. E eu sempre entrava no mar depois deles [em cada fase]. Eu entrava no mar já sabendo os resultados. Isso me ajudou a ter mais forças ao longo do evento”, afirmou.

ESTRANGEIROS INDIGNADOS

O surfe sempre foi dominado por australianos, havaianos e americanos. No entanto, o Brasil conquistou dois títulos seguidos. Neste ano, teve quatro surfistas no top 10 do ranking.

Para Mineirinho, os estrangeiros não estão nada felizes com essa situação.

“Eles enxergam como se estivesse tirando o espaço deles. Estão indignados, não estão nada felizes. Mas vamos lutar muito para estar ali de novo [no topo do ranking] no ano que vem”, disse o brasileiro, que tem uma boa relação com os adversários.

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