Geral

O show de horror e diversão de Rocky

Não sonhe, seja. E The Rocky Horror Picture Show – filme que traz esses versos em uma de suas músicas e que será exibido neste sábado em Pato Branco, no Cine Sesi – é como um sonho bizarro, mas principalmente divertido.

Apesar de ser uma comédia de terror para ser vista com olhos despretensiosos – tem uma veia trash – o musical também pode ser encarado como um grito pela liberdade sexual e das várias amarras impostas pela sociedade. Não é engajado, mas a sua maneira debochada, subversiva e sem presunção, combate tabus.

A história gira em torno de um casal careta que, perdido numa tempestade, para num castelo onde coisas estranhas acontecem. O anfitrião, dr. Frank-N-Furter, logo avisa: Sou apenas um doce travesti, de Transexual, Transilvânia.

O castelo seria fachada para uma nave alienígena (do planeta Transexual, da galáxia Transilvânia) que pousara na terra – qualquer semelhança à maneira como alguns ainda veem aqueles com orientação sexual diferente não é mera coincidência.

Tal qual Frankstein, dr. Frank trabalha na construção de uma criatura – só que esta tem de sair perfeita, sem retalhos, pois servirá a saciar seus desejos.

O erotismo está presente em boa parte do filme. Dá para imaginar que é um musical um pouco mais abusado que A Noviça Rebelde. Que ensinará, nos primeiros minutos, a dançar o movimento pélvico. Aos que pretendem assistir pela primeira vez, vão ensaiando. O filme dará as seguintes instruções: É um pulo para a esquerda e um passo para a direita, com suas mãos nos quadris. Você aperta o joelho. Mas o impulso é pélvico!.

Divulgação

Logo na abertura The Rocky mostra o porquê se tornou uma referência da cultura pop: quem aparece é única e exclusivamente uma boca, com um forte batom vermelho, que ganha a tela e canta fazendo alusões a vários filmes de ficção científica dos anos 1930 a 1950.

Mais que um filme, The Rocky Horror Picture Show é um espetáculo sem lei, no qual vale tudo. E por isso se tornou um ícone do cinema alternativo e cultuado desde 1975, quando foi lançado. Em Party Monster (Fenton Bailey e Randy Barbato, 2003), por exemplo, não sonhe, seja é o lema do personagem interpretado por Macklin Kalkin, protagonista no universo clubber.

É apenas um dos filmes inspirados no musical da década de 1970 que, sendo a produção que ficou mais tempo em cartaz (e ainda permanece), estrelando as sessões da meia noite nos Estados Unidos, ganhou aficionados. Ao ponto de estes irem repetidamente às exibições caracterizados, com fantasias ou adereços que remetem ao longa. Assim, as sessões tornaram-se interativas. Chapéus de festa, faixas coloridas na cintura – peças usadas pelos ‘alienígenas’ que realizavam uma conferência no castelo – são usados dentro do cinema, além de outras participações.

O desbunde de The Rocky Horror Picture Show é conduzido por uma trilha sonora de rock impecável e atuações hilariantes de Tim Curry e Suzy Sarandon.

O tempo está voando e a loucura cobra seu pedágio, diz uma das canções. Mas The Rocky Horror Picture Show não só continua atual, como irresistível e contagiante.

Clique para comentar

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Para cima