Obama diz que limitará espionagem de líderes aliados

Por Raul Juste Lores

WASHINGTON, EUA, 17 de janeiro (Folhapress) – O presidente americano Barack Obama anunciou hoje que não haverá mais espionagem de chefes de Estado e de governo “de nossos amigos e aliados, ao menos que haja uma forte razão de segurança nacional”.

“Se eu quero saber o que nossos amigos e aliados pensam, vou pegar o telefone e ligar para eles, em vez de recorrer à espionagem”, disse, durante um longo discurso sobre a prometida reforma da Agência Nacional de Segurança (NSA, da sigla em inglês).

Obama disse que instruiu sua equipe de inteligência para aprofundar a cooperação com aliados para “reconstruir a confiança”. O presidente não citou que países são considerados “amigos e aliados”.

Mas disse que continuará a coletar inteligência ao redor do mundo, “do mesmo jeito que outros países fazem. Não vamos pedir desculpas porque nossos serviços são mais efetivos”.

Ele também determinou ao Departamento de Estado designar um coordenador para diplomacia internacional, que servirá como ouvidor e negociador das reclamações e questões de governos estrangeiros, uma área onde se considera que o governo americano demorou a dar respostas. A Casa Branca terá um conselheiro especial para cuidar de preocupações de privacidade.

As maiores reformas anunciadas, a serem implementadas entre os próximos quatro meses e um ano, se referem à redução da coleta de dados sobre telefonemas nos EUA e no exterior, que ainda serão armazenados pela NSA, mas em menor escala – e o acesso a eles dependerá de ações judiciais e o cargo de defensor público de privacidade será criado.

No discurso, em que Obama tentou equilibrar preocupações do Congresso, das agências de inteligência, líderes estrangeiros, empresas de tecnologia e organizações que defendem direitos humanos, Obama disse que “corporações estão seguindo vocês também, é assim que surgem as propagandas na tela de seu aparelho celular”.

Em mensagem dirigida à comunidade internacional, ele falou que “não coletamos inteligência para dar uma vantagem competitiva a empresas ou setores comerciais americanos” e que queria dar “um passo inédito ao estender certas proteções a cidadãos estrangeiros no respeito à privacidade”.

A revisão dos processos da NSA foi anunciada em agosto último pelo presidente Obama, depois de dois meses de críticas e revelações feitas pelo ex-analista da NSA Edward Snowden, atualmente asilado na Rússia. Snowden foi citado rapidamente no discurso de hoje por Obama. Ele disse que não queria opinar sobre as ações ou motivações de Snowden, e que “a maneira sensacionalista que os vazamentos foram divulgados causaram dano ao país”.

Obama usou diversos exemplos históricos para justificar a espionagem, da inteligência sobre os britânicos na guerra da Independência americana à quebra de códigos japoneses e alemães durante a Segunda Guerra.

Mas afirmou que estados totalitários, como a Alemanha Oriental, lembram dos excessos da espionagem.

“Nem os EUA foram imunes aos exageros” e citou a espionagem de Martin Luther King feita pelo próprio governo, à época de J. Edgar Hoover à frente do FBI.

Afirmou que os atentados de 11 de setembro provocaram excessos na ampliação da inteligência.

“Fomos chacoalhados pelos sinais que não captamos sobre a preparação dos atentados do 11 de setembro.”

Parte das reformas será enviada ao Congresso. Obama não falou em deixar de coletar os dados de emails ou telefone, como os defensores da privacidade pediam. Boa parte do discurso foi sobre o armazenamento e o período do mesmo.

O senador republicano Rand Paul afirmou na CNN que esperava “o fim desse armazenamento” e da espionagem generalizada.

O ex-secretário de Defesa Robert Gates, que está lançando um polêmico livro de memórias nos EUA, falou à rede CNN que as mudanças na NSA “podem deixar o país mais inseguro”, repetindo o que parte das forças armadas e dos serviços de inteligência tem opinado na imprensa americana.
 

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