Pivô de caso Amarilla diz que erros foram ‘sem querer’

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – Ex-representante da Comissão de Arbitragem da Conmebol, Abel Gnecco negou nesta segunda-feira (6), em entrevista ao jornal “Olé”, que tenha havido um esquema de manipulação de resultados para prejudicar o Corinthians contra o Boca Juniors na Libertadores de 2013.
Em conversas gravadas por escuta telefônica e divulgadas em junho, Gnecco fala com Julio Grondona, então presidente da AFA (Associação do Futebol Argentino), sobre a escolha de Carlos Amarilla como árbitro da partida.
“Saiu bem ao fim, ninguém queria esse louco de m… e o maior reforço que o Boca teve no último ano foi o Amarilla”, disse Grondona em dado momento da conversa.
Gnecco diz que foi um comentário informal e “boleiro” de Grondona.
“Ele disse isso porque aqui [na Argentina] não queriam o Amarilla, e disse com ironia que ele acabou sendo um reforço do Boca. Ele disse sem má fé e foi um comentário ‘boleiro’. Mas aqui distorcem tudo”, disse.
Ele disse que os erros de Amarilla e seus assistentes não foram intencionais.
“Foi sem querer, são erros que qualquer árbitro pode comete. E dois erros foram do assistente, os impedimentos ele não pode ver”, afirmou.

A CONVERSA
Os personagens:
Carlos Amarilla
* Árbitro paraguaio
* Atuou na Copa do Mundo de 2006
* Foi criticado por sua arbitragem no jogo de volta entre Corinthians e Boca Juniors pelas oitavas de final da Libertadores de 2013, no Pacaembu
* Deixou de marcar um pênalti para o Corinthians e anulou gol legal da equipe alvinegra
* Ele admite ter cometido erros, mas nega que tenha favorecido o Boca Juniors
Julio Grondona
* Ex-presidente da AFA (Associação do Futebol Argentino)
* Morto em 2014, é investigado por envolvimento no escândalo de corrupção no futebol revelado pela Justiça americana
* Comandou a federação argentina de 1979 até sua morte
* Começou a carreira de dirigente ao fundar o Arsenal de Sarandí, em 1956
* Também foi dirigente do Independiente, entre 1962 e 1979
Abel Gnecco
* Diretor da escola de árbitros da AFA
* Representante argentino no comitê de árbitros da Conmebol (Confederação de Futebol da América do Sul)

A conversa:
(17 de maio de 2013, dois dias depois do Boca Juniors eliminar o Corinthians da Libertadores)
Grondona: Como está, Abel? Bem. E você?
Gnecco: Sim, estou bem porque saí desta confusão, não? Mas enfim, sei lá.
Grondona: No fim foi tudo bem. Ninguém queria esse louco de m… e jogou o melhor reforço que o Boca teve no último ano, o Amarilla (risos).
Gnecco: Sim, disse isso, mas sei lá. Falei com Alarcón [Carlos Alarcón, presidente da Comissão de Árbitros da Conmebol] e ele me disse que esse ano é meio… É novo, que tem que ter… Bom, então fazemos uma coisa [inaudível]. Aí na Argentina eles querem o Amarilla? Olha, se não querem eu não sei. Eu quero. Então coloca ele e não me encha o saco. Coloca o Amarilla e para de me f… Bom, aconteceu assim, colocou ele e, bom, foi tudo bem porque tem de ser assim.
Grondona: E agora quem vai? Quem tem que colocar agora no Boca e Newell’s [partida das quartas de final]?
(Os dois conversam sobre possíveis árbitros para mediar o jogo. Mais tarde, Grondona dá a entender que teria comprado os árbitros assistentes em uma partida contra o Santos pela semifinal da Libertadores de 1964, quando era dirigente do Independiente)
Grondona: E fique de olho nos bandeirinhas que coloca, que com esse… Como se chama? Taibi [Ernesto Taibi, árbitro assistente argentino] tem que ter cuidado.
Gnecco: (risos) Não, não, os bandeirinhas…
Grondona: Por favor, porque o árbitro faz tudo e o bandeirinha põe tudo a perder.
Gnecco: Julio, isso eu aprendi com você há mais ou menos 40 anos.
Grondona: Em 64, quando jogamos contra o Santos, ganhei do Leo Horn [árbitro holandês; na verdade, o árbitro da disputa foi o inglês Arthur Holland] com os dois bandeirinhas.
Gnecco: (risos) Sim, sim, já sei.
Grondona: Tchau, até logo.

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