Poeta portuguesa Matilde Campilho emociona a plateia na Flip

JULIANA GRAGNANI, ENVIADA ESPECIAL
PARATY, RIO (FOLHAPRESS) – Mais uma portuguesa conquistou a Festa Literária Internacional de Paraty, a Flip, cuja 13ª edição começou nesta quarta (1º) e vai até domingo (5). Depois de Lobo Antunes, sensação de 2009, e Valter Hugo Mãe, o queridinho de 2011, a poeta Matilde Campilho arrancou aplausos nesta quinta (2), ao falar sobre poesia.
“Poeta é uma profissão para sempre, nem dormindo a gente tem descanso”, disse Matilde, que tem um sotaque “lusocarioca” – ela morou no Rio entre 2010 e 2013 – e alterna o carioca, para dirigir-se ao público, e o português de Portugal, para ler seus poemas.
Matilde participou de mesa com Mariano Marovatto com mediação de Carlito Azevedo – ambos poetas cariocas.
Carlito, espécie de mentor de Matilde no Brasil, brincou que iria propor três questões “fáceis” para ela, “o que é a poesia?”, “o que é o amor?” e “o que é o universo?”.
Um copo de água serviu de exemplo para a poeta, que respondeu: “na poesia, eu pego esse copo e posso fazer explosões atômicas dentro dele”.
Matilde, autora de “Jóquei” (Editora 34, R$ 34, 152 págs.), também emocionou ao declamar um poema inédito, sobre morte (“uma pessoa pode morrer de causas variadas () pode-se morrer de um golpe de timidez na hora errada”).
Marovatto disse que quando começou a escrever poesia “rolou aquela coisa ‘me apaixonei pela pessoa errada'”, citando a música do Exaltasamba. “O vício de escrever é uma coisa que todo mundo deveria experimentar.”
Ele é autor do livro de poemas “Casa” (que deve sair neste semestre pela 7Letras) e “As Quatro Estações”, sobre a Legião Urbana. Carlito perguntou aos dois o que achavam da “onda crescente de conservadorismo” no país, lembrando o avanço da redução da maioridade penal na Câmara. Marovatto disse que o Brasil vive num momento “Idade Média”. Para Matilde, “o mundo está arrebentado”.
“É preciso desenhar, fazer canções. A poesia não salva o mundo, mas salva um minuto. Isso é suficiente”, afirmou a poeta. “A gente está aqui para dançar um pouco sobre os escombros.”
“No meu país há uma taxa de desemprego brutal. É difícil dizer ‘sou poeta’. Quem tem tempo para ler poesia quando tem fome?”, disse. “Vai passar. Mas até lá o caminho é todo entre as veredas. Estamos juntos.”

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