Porta ainda está aberta para a Grécia, dizem Merkel e Hollande

A porta ainda está aberta para negociações de um novo acordo de resgate da economia grega, mas o tempo está acabando, avisaram a chanceler alemã, Angela Merkel, e o presidente da França, François Hollande, 24 horas após a vitória do “não” no plebiscito antiausteridade.

O primeiro-ministro da Grécia, Alexis Tsipras, prometeu apresentar uma nova proposta nesta terça (7), durante reunião dos chefes de governo dos 19 países do Eurogrupo (que congrega as economias da zona do euro) em Bruxelas. Em um pronunciamento conjunto de pouco mais de cinco minutos, Merkel disse que ainda não há base para a negociação e destacou mais uma vez que é preciso combinar solidariedade e responsabilidade. “Temos muito pouco tempo.

Precisamos que as propostas da Grécia cheguem à mesa”, disse Merkel. “Agora cabe a Tsipras fazer propostas sérias, com credibilidade, para que o desejo dos gregos de permanecer na zona do euro seja realizado com tempo, porque a Grécia precisa de tempo”, disse Hollande A negociação acontecerá sob intensa pressão, já que o BCE (Banco Central Europeu) se negou a ampliar os limites dos fundos de emergência para os bancos gregos.

O BCE manteve a assistência emergencial de liquidez (ELA, na sigla em inglês) em 89 bilhões de euros, seu nível atual, mas aumentou as exigências de garantias colaterais dos bancos gregos. O “corralito” em vigor desde 29 de junho continuará em vigor pelo menos até quinta-feira.

Cada grego só tem direito a sacar um máximo de 60 de euros por dia nos caixas automáticos. A volta do funcionamento normal dos bancos, que estava prevista para esta terça (7), foi adiada pelo menos até quinta-feira (9). Tsipras aceitou a renúncia do ministro das Finanças, Yanis Varoufakis, como forma de abrir caminho para as negociações. Varoufakis tinha uma má relação com os alemães.

Seu substituto é Euclides Tsakalotos, que até esta segunda desempenhava o papel de chefe das negociações do governo grego com os credores. A expectativa quanto à negociação de um novo acordo arrefeceu após declarações do vice-presidente para o euro da Comissão Europeia, Valdos Dombravskis, que afirmou que a distância entre a Grécia e os demais países da eurozona aumentou. “Não há saída fácil para esta crise.

Foram perdidos tempo demais e oportunidades demais”, disse Dombravskis. A diretora-geral do FMI (Fundo Monetário Internacional), Christine Lagarde, afirmou que a instituição está “pronta para dar assistência à Grécia se ela for requisitada”. Tsipras passou o dia reunido com os líderes dos principais partidos gregos, inclusive os de oposição, negociando apoio para uma nova proposta.

Por volta das 18h (hora local, 12h em Brasília), foi divulgado um comunicado conjunto dos partidos, excluídos apenas o Partido Comunista Grego e o partido de extrema direita Aurora Dourada.

Os partidos apoiam uma negociação que restaure o mais rápido possível a liquidez dos bancos gregos e pedem uma redução da dívida da Grécia, que já passa dos 342 bilhões de euros. O PIB (Produto Interno Bruto) da Grécia é de cerca de 200 bilhões de euros.

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