Produtores se dizem otimistas com o “feijão nosso de cada dia”

Fotos: Marcilei Rossi/Diário do Sudoeste

O relatório de desempenho da segunda safra de feijão ainda está sendo analisado pelo Deral (Departamento de Economia Rural) da Seab (Secretaria de Estado de Agricultura e Abastecimento). Sendo assim, nos próximos dias, um novo prognóstico de safra deve ser divulgado para o Estado.

Nos indicativos de fevereiro, segundo o Deral, a área plantada em todo o Estado na segunda safra de feijão aponta um leve acréscimo no comparativo com o ciclo 2014/2015, quando foram cultivados 209.714 (ha) hectares.

Na atual safra, a área destinada é de 210.492 ha, deste montante 67 mil ha são no Sudoeste, com 45 mil ha na microrregião de Pato Branco e 22 mil na de Francisco Beltrão.

Segundo o técnico do Deral, Carlos Alberto Salvador, a segunda safra de feijão vem transcorrendo bem. Já tivemos a colheita em algumas regiões, ao mesmo tempo em que a maior parte da safra ainda está em desenvolvimento, comenta Salvador, apontando como um dos fatores importantes para o bom andamento da safra a diminuição das chuvas que foram registradas em dezembro.

Para Salvador, o pequeno acréscimo de área de safra de feijão segunda safra reflete a estabilidade de área de produção. A manutenção de área é um grande indício de que o produtor está apostando na cultura, afirma o técnico do Deral.

Ele afirma que dentro do calendário agrícola estabelecido, que envolve primeira e segunda safra de feijão e outras culturas, o agricultor tem que encontrar espaço para estabelecer o feijão.

Salvador também lembra que a segunda safra cresceu tanto no Paraná que para muitos é considerada a principal da cultura. Ele também avalia que a redução de área no comparativo dos últimos cinco anos, reflete o bom momento que a cultura do soja vem vivendo.

Engenheiro Agrônomo ligado à Emater escritório de Pato Branco, Vilmar Natalino Grando avalia que ainda é cedo para projetar a produtividade de safra, e por consequência uma possível queda de produção.

Segundo ele, o índice do Deral, que aponta uma produtividade da segunda safra de feijão chegando na microrregião de Pato Branco a 90 mil toneladas reflete diretamente a menor área plantada e não eventuais problemas nas lavouras.

As lavouras que foram plantadas após o período chuvoso estão apresentando uma boa recuperação, pontua Grando, avaliando que as ditas lavouras do tarde estão apresentando potencial produtivo superior até mesmo no comparativo com a safra passada.

Na propriedade da família de José Edson Ferrazza, na comunidade de Linha Damasceno, feijão é uma cultura que vem sendo trabalhada há pelo menos duas décadas.

Ao lado do filho Joenei Antônio, José recorda os tempos que a colheita era manual e nem de longe se pensava e retirar das lavouras a produção por meio de colheitadeiras.

A família tem como condução de rotação de cultura, plantar o feijão na resteva do milho silagem e afirma que com isso as plantas tem um desenvolvimento melhor, portanto, melhores resultados na colheita.

Nesta segunda safra, pai e filho afirmam terem plantado quase cinco alqueires de feijão, sendo a maior parte do Carioca, e apenas dois alqueires de preto.

No ano passado colhemos uma média de 80 sacas por alqueire em uma área.Mas o que vem mostrando este ano, o feijão preto deve passar de 100 sacas por alqueire, comenta José, avaliando que a área de feijão Carioca também não deve se comportar diferente.

Completando o pai Joenei aponta que chuvas frequentes alternadas com períodos de sol devem conduzir a uma boa produtividade. Essas alternâncias vêm contribuindo para nas lavouras da família as vagens estarem bem formadas e com um bom preenchimento de grãos.

Pai e filho relatam que ainda não foram em busca de compradores para a produção que se estima ser colhida na segunda quinzena de abril, contudo, esperam uma boa colocação da produção, uma vez que a baixa produtividade das lavouras de feijão em Minas Gerais e as perdas paranaenses na primeira safra resultaram em notícias de falta do grão no mercado.

Eles também comentam que mesmo a segunda safra deve ter perdas de produtividade, principalmente das lavouras plantadas em períodos mais chuvosos e citam como exemplo áreas próximas das terras da família. Aqui próximo tem áreas que devem fechar em 20 sacas por alqueire, pontua José.

Ciclos de produção

O agrônomo, Vilmar Natalino Grando lembra ainda que o feijão é uma cultura bastante sensível, que responde rapidamente a uma alteração (doença e clima), porém, a grande variação de ciclos de produção também devem contribuir para o resultado final da safra.

Atualmente não é difícil encontrar lavouras nos mais variados estágios da planta, que vão desde a sua fase vegetativa até plantas com vagens formadas. Essa variação é interessante na cultura do feijão, uma vez que vai ter reflexo diretamente no momento da colheita, comenta Grando lembrando que um período chuvoso pode comprometer totalmente uma safra se o agricultor não optar por datas diferentes de plantio.

Preço e mercado

Segundo o preço repassado pelo Deral, a saca de 60 kg de feijão Carioca tipo 1 comercialização máxima de R$ 190, já a saca de 60 kg de feijão Preto tipo 1 teve máxima de R$ 160 nessa quarta-feira.

De acordo com o Deral, até o momento não foi calculado quanto de cada variedade está

sendo produzida nas lavouras paranaenses.

No entanto, o agrônomo da Emater explica que mesmo a condução de plantio seguindo muito a tendência de mercado, a maior área de feijão preto na primeira safra segue a lógica dele ser mais resistente à chuva — normal no início de janeiro. O branco (Carioca) em condições de chuva perde muita qualidade e o processo de comercialização.

Já na safra do tarde, como também é chamada a segunda safra, as ofertas de semente, e comercialização são os fatores que mais determinam o comportamento de plantio das lavouras.

Soja

Com a proibição do plantio de soja safrinha já no próximo ciclo, Grando avalia que uma tendência que pode vir a se confirmar é a ampliação significativa de área plantada de feijão.

Contudo, ele lembra que o feijão é uma cultura de ocasião. Se no momento do plantio o preço estiver inadequado, estiver abaixo do preço mínimo ou as condições climáticas não forem favoráveis os produtores devem alterar facilmente suas programações.

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