Safra agrada aos olhos, ao paladar e ao produtor

Menores do que na safra passada, maçãs produzidas em Palmas não tiveram grandes adversidades climáticas no ciclo 2015/2016

No comparativo com a safra 2014/15, a ABPM (Associação Brasileira de Produtores de Maçã) vem projetando a safra 2015/16 que já está sendo colhida com uma pequena queda.

Em 2015, foram colhidas 1,144 milhão de toneladas da fruta, com destaque para os três estados do Sul, — Santa Catarina é o maior produtor, seguido do Rio Grande do Sul e do Paraná —, que juntos representam a maior porcentagem da produção nacional, que nesta safra vem sendo estimada de 1,1 milhão.

Divulgação
Seguido de Rio Grande do Sul e Paraná, Santa Catarina se mantém como maior produtor de maçã do Brasil

Palmas, no Sudoeste se destaca como produtor de maçã e no passado chegou a atingir a marca como maior produtor do Estado. Este ano segundo o diretor técnico da ABPM, Ivanir Leopoldo Dalanhol, mesmo com uma projeção de leve queda na produção, o clima é de otimismo para os produtores.

Afinal, a estimativa inicial desta safra é bastante parecida com os ciclos anteriores, 13,5 mil toneladas.

No entanto, Dalanhol comenta que a safra 2014/15 movimentou em 14 mil toneladas os pomares palmenses, e em 40.978 toneladas os do Estado, que neste ano tem uma projeção de colheita de 50 mil toneladas.

Conforme o diretor da ABPM, um dos fatores que vem sendo observado como fundamental para a queda de produção de maçã em Palmas este ano é o calibre da fruta.

Com cerca de 50% da safra de variedade Gala colhida, o que se nota nos pomares são frutos de qualidade, avermelhados e com bons teores de açúcar, porém, com calibres (tamanhos) um pouco menores do que os colhidos na safra passada.

O inverno menos rigoroso no ano passado, juntamente com os acumulados de chuva resultaram em frutos menores, explica Dalanhol, revelando que a mesma qualidade presenciada na Gala deve ser notada na variedade Fugi tão logo inicie a colheita.

A ausência de registro de granizo também vem deixando os produtores otimistas, uma vez que este fenômeno climático machuca os frutos e em anos anteriores foi o que determinou a qualidade das maçãs que chegaram ao mercado.

Com relação à variedade Eva, Dalanhol explica que por ser precoce essa sim sofreu com a variação de clima, uma vez que em setembro foi registrada geada nos campos de Palmas, que culminou na queda dos frutos.

Pomares

Em meio a colheita da safra 2014/15, o Diário do Sudoeste publicou que alguns produtores vinham repensando a continuidade de seus pomares, ou o abandono da cultura.

Palmas nem de perto atualmente vive os mesmos dias que renderam ao município o destaque estadual e nacional, como produtor de maçã. Época em que chegou a ter 1.400 hectares de pomares, contudo, o diretor da ABPM afirma que a cultura no município vive um momento de colher os frutos das novas áreas.

O que temos visto nos últimos três anos é uma ampliação da área plantada, comenta Dalanhol otimista, uma vez que as primeiras áreas deverão produzir já no próximo ciclo. Quando o produtor faz o plantio de novos pomares, aponta que ele está acreditando na cultura, diz ele.

Dalanhol evita também comparar a produção atual do Paraná com os líderes de produção Santa Catarina e Rio Grande do Sul, contudo, aponta o que vê como um diferencial. A experiência que estamos tendo no Estado é de produção em pequenas áreas, garantido assim um valor agregado às propriedades.

Comercialização

Diferente de outras culturas, a maçã não tem preço mínimo estabelecido por meio da PGPM (Política de Preço Mínimo). Segundo Dalanhol, isso se deve à lei da oferta e procura da fruta.

Ele também evita de falar em preço de comercialização, uma vez que a qualidade e um perfil bom da fruta conforme o diretor da ABPM é que acabam interferindo no valor pago ao produtor.

No entanto, no comparativo com a safra 2014/15, quando alguns produtores venderam suas safras a R$ 1 o quilo, o valor pago neste ciclo também é motivo de comemoração, já que a fruta vem sendo comercializada em uma variação de R$ 1,5 a R$ 1,6 o quilo.

Contudo, ganha destaque o fato de que esse valor também não é uma regra, já que mesmo com frutos bons em Palmas, também é possível encontrar pomares que não atingiram a mesma qualidade, sendo assim, não devem ter o mesmo retorno de mercado.

Na balança que contribuiu para o melhor retorno financeiro ao produtor, fatores como os baixos estoques ao final de 2015 e a crescente do dólar também são destacados por Dalanhol.

A fruta importada ficou mais cara, lembra o diretor apontando uma maior abertura do mercado nacional da maçã, mas também novos horizontes para a cadeia produtiva.

Em 2015 segundo a ABPM, a estratégia de exportação estimulada pela alta do dólar fez com que 20% da produção nacional deixasse o país. Este ano segundo Dalanhol, a estimativa é de que de 10% a 12% da safra 2015/2016 seja exportada, principalmente para a Europa.

Existe uma tendência de comercialização para a Ásia, porém, nosso maior mercado comprador é a comunidade europeia, disse lembrando que mesmo sendo um importador a comunidade asiática ainda é um mercado pequeno.

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