Safra boa, mesmo não atendendo as expectativas de produção

No Sudoeste, na quinta (3) grupo do Rally da Safra 2016 coletou dados de lavouras de soja e milho

Na semana em que a cotação da soja fechou em R$ 65,50 e o milho a R$ 36,20 no Sudoeste, segundo o Deral (Departamento de Economia Rural), para comercialização de sacas de 60 kg, a expedição Rally da Safra 2016, patrocinada por multinacionais do setor de tecnologia agrícola, governo Federal e Banco do Brasil passou pela microrregião de Pato Branco.

O foco do grupo, assim como nas edições anteriores, foram as lavouras de milho e soja, mapear o desenvolvimento das duas culturas em todo o país, uma vez que a expedição é composta de equipes que já percorreram desde o MATOPIBA (Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia), o Sudeste e o Centro-Oeste brasileiro.

Diário do Sudoeste
Para cálculo de estimativa de safra, grupo avalia espaçamento e  alinhamento do plantio

Conforme Valmir Assarice, consultor da Afroconsult, empresa de consultoria de projetos que coleta os dados do Rally da Safra, as lavouras paranaenses estão em um desenvolvimento considerado bom, o que na prática não resulta atingir os melhores índices estimados no início da safra, contudo, ao mesmo tempo em que não chega refletir em números mais pessimistas.

Velhos conhecidos dos produtores, a ferrugem asiática, a antracnose, as lagartas medideiras e os percevejos foram observados e relatados pelo comboio, que de Mariópolis e Clevelândia seguiu para Santa Catarina.

No entanto, a presença de vagens abertas nas lavouras de soja chamou a atenção da equipe, o que segundo Assarice não reflete um fato isolado do Sudoeste, mas sim, um constante nessa safra nas lavouras paranaenses.

Para o analista, o fator chuva pode ter contribuído para a abertura das vagens. Estamos encontrando a abertura de vagens mesmo verdes, o que pode representar o excesso de chuva em algum momento, disse.

Assarice também comenta que a falta de chuva contribui para a má-formação de vagens. A observação é pelo fato de em lavouras paranaenses terem sido encontradas vagens com formação de três grãos, no entanto, um bem formado, o segundo menor e o terceiro com visível dificuldade de desenvolvimento.

Safra

O resultado das coletas do grupo será conhecido na quarta-feira (16), quando todas as regiões produtoras terão sido visitadas e assim mapeadas.

Entretanto, o coordenador da expedição, o analista da Agroconsult Marcos Rubin antecipou que a safra brasileira deve ser recorde. Este ano se alardeou (cerca de 60 dias antes do início da colheita) uma quebra de safra gigantesca no Brasil que não vai acontecer. Temos, sim, regiões com problemas, mas a safra no país vai ser muito boa, avaliou.

As análises de campo e a ampliação de área plantada contribuíram para que no fim de fevereiro o grupo coordenado por Rubin revisse os dados pré-rally.

Com essa observação, a soja passou a ter uma estimativa de produção de 101,6 milhões de toneladas, representando um acréscimo de 2,4% com base no início dos trabalhos, e 5,6% sobre a safra 2014/2015.

Ao mesmo tempo em que a estimativa de produção cresceu, a área plantada também ficou maior (3,6%) com relação à safra passada, o que na prática representa 33,2 milhões de hectares segundo os organizadores da pesquisa.

Rubin aponta como fatores que contribuíram para esse crescimento a iniciativa dos produtores do Sul do país com utilização das lavouras de milho verão para a cultura do soja. Mas também a expansão de área no Centro-oeste.

De acordo com os levantamentos, é justamente o Centro-oeste — em especial o Mato Grosso do Sul e o sudeste de Goiás — que vem apresentado os melhores resultados de produtividade.

Observamos até o momento problemas pontuais na safra do Mato Grosso e parte do Paraná. Mas as regiões críticas que envolve a área do MATOPIBA, explicou Rubin, comentando que o Rio Grande do Sul tem um bom potencial de safra, porém só terá seus dados coletados esta semana.

Paraná

Conforme o relatório de fevereiro do Deral, a estimativa de safra paranaense deve ter uma queda de 3,6% — atingindo 21,5 milhões de toneladas — no comparativo com as projeções iniciais que apontavam a colheita de 22,3 milhões de toneladas.

Assim como a avaliação da Seab (Secretaria de Agricultura e Abastecimento) de que o rendimento é bom levando em consideração as chuvas, a avaliação do grupo do Rally da Safra é de que o Paraná tem uma boa safra.

Para Rubin, os bons resultados obtidos na safra 2014/2015 podem gerar uma sensação diferente, no entanto, os índices desse ciclo são um pouco inferior, se observado os rendimentos dos últimos anos.

Contribuem diretamente para essa queda de produtividade no comparativo com a safra passada, os resultados da região Oeste e do Norte de acordo com os expedicionários.

Já o Sudoeste no comparativo de produção e dados coletados pelo grupo em 2015, tive apenas uma leve redução de produtividade.

De modo geral a quebra de safra não é o diagnóstico correto para o Estado, diz Rubin, afirmando que o que mais vem se desenhando no Paraná é uma quebra de expectativa de produtividade.

Milho

Para a safra de verão, segundo o grupo, é projetada a colheita de 28,5 milhões de toneladas de milho em todo o Brasil. O volume é 5,1% inferior ao da safra passada, mas também reflete a redução de 6,8% da área plantada que se aproxima de 5,7 milhões de hectares.

Menos rentável que a soja para muitos produtores, o milho perdeu espaço, o que leva os analistas avaliarem que o fator surpresa nesta safra vem sendo o valor pago pela saca do grão. O produtor reduziu área e não esperava que o milho fosse reagir de uma maneira tão brusca observa Rubin, lembrando que os bons preços pagos ao produtor acabam interferindo em outras cadeias produtivas.

Com relação ao milho segunda safra, ao contrário do milho verão, o que se deve observar de acordo com o grupo é um acréscimo de área de 10,6% chegando a 10,7 milhões de hectares.

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