Salários em dia e mesmo treinador há mais de um ano sustentam Sport

GUILHERME SETO E LUIZ COSENZO
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – Adversário do Santos nesta quarta-feira (22) em partida válida pela Copa do Brasil, o Sport tem se destacado no Campeonato Brasileiro, no qual ocupa a quarta colocação, dentro da zona que dá vaga à Libertadores de 2016.
O desempenho do time não surpreende os cartolas do Sport nem o treinador Eduardo Baptista, que nesta quarta completa 538 dias à frente da equipe. Para eles, o sucesso decorre de uma série de fatores, entre eles o pagamento dos salários em dia, a montagem criteriosa do elenco e a continuidade do trabalho.
“É preciso prestar atenção também ao aspecto psicológico do jogador, o que nem todos os times fazem. Com os salários pagos em dia, o jogador fica tranquilo, tem uma preocupação a menos. Não é porque o atleta ganha bem que não se preocupa com atrasos. Cada um tem suas responsabilidades. Há anos que o clube não atrasa salários”, explica Arnaldo Barros, vice-presidente do Sport.
O treinador concorda.
“Aqui o salário é em dia e esse é um outro fator que pesa a nosso favor. O jogador não vai deixar de jogar porque o salário está atrasado, mas ele fica preocupado. Com o salário em dia, ele fica concentrado no treino e no jogo”, reforça.
Atrasar pagamento para jogadores virou um problema recorrente em clubes com receita maior que a do clube pernambucano, casos do Santos, rival nesta quarta, São Paulo e Corinthians.
Boa parte da receita do Sport vem do patrocínio da Caixa, iniciado em julho de 2014, que rende R$ 500 mil mensais ao clube. O contrato tem fim previsto para o fim deste mês, mas o Sport já tem conversas bem encaminhadas para a extensão do vínculo até dezembro.
A grande fase do time também passa pelo bom rendimento de jogadores que não vinham bem em outras equipe, como Maikon Leite, André e Marlone. Para Barros, o segredo está na triagem minuciosa antes da contratação.
“Primeiramente, analisamos a parte técnica do atleta. Membros da comissão técnica e analistas de desempenho assistem a ao menos cinco jogos inteiros do jogador, além de fazer um levantamento de suas características. Em seguida, pesquisamos a trajetória pessoal do jogador, pois queremos atletas comprometidos com o grupo. Nós contratamos tendo em vista as necessidades do elenco. Não há improvisação no Sport, nós queremos que o atleta jogue na posição que ele conhece e rende melhor”, explica.
Baptista, 45, filho do experiente treinador Nelsinho Baptista, também valoriza a incorporação de jovens atletas da base.
“Demos prioridade aos jogadores das categorias de base. Nossa proposta de trabalho é mescar a base com os jogadores experientes. 40% do nosso elenco veio da base”, explica, lembrando de jogadores como o volante Rithely e o lateral Renê, ambos titulares.
Há um ano e cinco meses como técnico do Sport, Baptista é o técnico que está há mais tempo em um clube entre todos os times da Série A. Sua permanência também é vista internamente como um trunfo.
“Fizemos um planejamento estratégico. Enfrentamos momentos difíceis em 2015 no Campeonato Pernambucano e também na Copa do Nordeste. Não ganhamos as duas competições e mesmo com a pressão mantivemos o técnico”, diz Humberto Martorelli, presidente do Sport.
Caso supere o Santos, Baptista classificará o Sport às oitavas da Copa da Brasil, algo que o clube não consegue desde 2010. Dois anos antes, seu pai transformou o Sport no primeiro clube nordestino a ser campeão da Copa do Brasil, ganhando do Corinthians na final.
“É difícil falar onde o time pode chegar. Tem muito tempo até dezembro e trabalhamos com objetivos curtos. Estamos pensando jogo a jogo”, diz Baptista.
“Sou detalhista. Gosto de assistir o jogo logo após o apito final. Aprendi isso muito com o meu pai. Os jogadores gostam quando você mostra isso no campo”, explica sobre as lições aprendidas com o pai.
“É meu primeiro clube como treinador. Quero continuar aqui por ao menos mais um ano e dar sequência no projeto. Gosto de planejamento”, conclui o técnico, cuja relação de confiança com o clube aparece até mesmo na burocracia: seu contrato não tem prazo fixado ou condicionamento por cumprimento de metas. É no regime CLT, como no caso de qualquer outro funcionário do clube.

Clique para comentar

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Para cima