Sem se convencer de que taça foi derretida, Fifa se lança em busca da Jules Rimet

Uma equipe da Fifa vai se lançar em uma missão inusitada e ambiciosa: procurar a taça Jules Rimet, o troféu mais cobiçado do esporte mundial e que, em 1983, foi roubado da sede da CBF no Rio. A meta é esclarecer de uma vez por todas o que ocorreu com a taça de ouro. “Vamos sair em busca do troféu”, declarou à reportagem do jornal O Estado de S. Paulo o autor do projeto, Guy Oliver, curador do novo museu da Fifa.

A procura pelo “Santo Graal” do futebol faz parte de um plano de promover uma exibição sobre a Jules Rimet, programada para 2019 em Zurique. “Queremos contar de fato qual foi a história desse troféu”, disse Oliver. “Não estamos certos de que, após seu roubo, ele tenha sido derretida, como foi dito.”

“Vamos reconstruir sua história. Se a encontrarmos, será o prêmio máximo”, afirmou. Em Zurique, Oliver já conseguiu recuperar a primeira base da Jules Rimet, usada até que os quatro lados dela foram ocupados com os nomes dos campeões de 1930 a 1950. Em 1954, uma nova base seria feita e a original, de mármore, esquecida.

Agora, Oliver está montando uma equipe de historiadores, jornalistas e especialistas para realizar o trabalho e espera que, com a divulgação de sua missão, pessoas interessadas em falar o que sabem se apresentem. Ele ainda revelará nos próximos meses uma estratégia para “premiar” delatores que estejam dispostos a colaborar.

O roubo aconteceu na noite de 20 de dezembro de 1983. O troféu de menos de 30 cm de altura e 3,8 quilos desapareceu da sede da CBF, no Rio de Janeiro. A concepção do troféu surgiu nas reuniões da Fifa de 1928, quando a entidade se preparava para seu primeiro torneio, no Uruguai em 1930 e representava Niké, deusa grega da vitória. A entidade estipulou que quem ganhasse o Mundial três vezes teria o direito de ficar com a taça. Assim, em 1970, o Brasil deixou o México definitivamente com o troféu.

Para Oliver, porém, a história completa ainda está por ser contada, principalmente diante do destino conturbado envolvendo os autores do crime.

O primeiro aspecto não explicado é a troca de taças na sede da CBF. Enquanto na vitrine de salas de troféu estava a Jules Rimet original, num cofre lacrado estava a réplica.

Em 1988, Sérgio Pereira Ayres, Francisco José Rocha Rivera e José Luiz Vieira da Silva, o Bigode, foram condenados de cinco a seis anos de prisão pelo roubo. Mas nenhum deles foi preso imediatamente.

Sérgio, por exemplo, apenas foi para a cadeia em 1994, 11 anos depois do roubo. Em 1997, ele já estava livre. Francisco foi assassinado com cinco tiros em 1989 em um bar enquanto aguardava o julgamento de um recurso. Já o “Bigode” seria capturado apenas em 1995 e, em 1998, também já estava em liberdade.

Semanas depois do caso, a Polícia Federal anunciou que a taça havia sido derretida um dia depois do roubo. A versão foi negada por todos os condenados. O comerciante Juan Carlos Hernandez teria sido o responsável pela transformação da Jules Rimet em barras de ouro. Mas essas barras jamais foram encontradas.

“Precisamos correr. Muita gente que pode saber de algo já está idosa e precisamos coletar essas histórias antes que essas pessoas morram”, completou.

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