Técnico folclórico do judô cubano tem mais medalhas olímpicas que o Brasil

PAULO ROBERTO CONDE, ENVIADO ESPECIAL
TORONTO, CANADA (FOLHAPRESS) – Ronaldo Veitía, 67, circulou pelo Hershey Centre, em Mississauga, com a desenvoltura de quem há 29 anos é o responsável pelo judô feminino mais forte das Américas.
Nascido em Cotorro e crescido em Havana, casado e mestre em ciências do esporte, é famoso por seus mais de 150 kg, os anéis que ostenta nos dedos, as pulseiras que usa nos punhos e a cabeleira. Veitía destoa no ambiente hermético e disciplinado dos tatames.
Porém, não é apenas pelo biótipo que ele impressiona. Sua lista de láureas é extensa. Veitía, sozinho, tem mais medalhas olímpicas conquistadas do que todo o judô brasileiro.
Seu currículo afirma que ele é o treinador com maior número de medalhas olímpicas na história do judô internacional. Verdade ou não, nunca desde Barcelona-1992 o selecionado feminino cubano passou em branco em Olimpíadas.
Desde que assumiu a chefia técnica da seleção cubana de mulheres, em 1986, ele soma 24 pódios em Olimpíadas por meio de suas atletas: são cinco ouros, nove pratas e dez bronzes. O Brasil tem 19 conquistas em sua história.
Em Campeonatos Mundiais adultos, o número também impressiona. Até 2014, suas judocas obtiveram 56 conquistas.
No Pan de Toronto, novamente conseguiu impor a força de seu grupo. O judô cubano foi ao pódio em todas as 14 categorias. As mulheres saíram duas medalhas ouro, uma de prata e quatro de bronze, campanha superior à dos homens.
O jeito folclórico do comandante pode gerar uma interpretação errada dos motivos que o tornaram uma lenda no esporte cubano. “Ronaldo é muito, muito exigente. Exige uma disciplina constante e sempre quer resultados. Além disso, também é bom em táticas de treinamento”, afirma Maylin del Toro, bronze em Toronto na categoria até 63 kg e na equipe cubana há quatro anos.
“Veitía é disciplinador e rigoroso, mas uma pessoa que nos inspira. É uma lenda. Os resultados de suas atletas são muito constantes”, complementa Onix Cortés, prata na faixa até 70 kg no Canadá.
Ambas afirmam que outro predicado do técnico é psicológico. “Ele sabe motivar e extrair o melhor. Mas sabe ser compreensivo”, diz Del Toro.
As manias de Veitía são perceptíveis dentro de competição. Enquanto todos os técnicos e judocas caminham após as lutas pela zona mista, área dedicada às entrevistas com a imprensa, ele simplesmente dá meia volta e “descarta” a mídia.
Em sua cabeça, há moral para tanto. Com tantos méritos, ele já recebeu os títulos de Herói do Trabalho da República de Cuba e Filho Ilustre de Havana e de Cotorro, sua cidade natal. São algumas das maiores honrarias do país.
Ele planeja aumentar a coleção pessoal de medalhas no Mundial de Astana, no Cazaquistão, em agosto. E, é claro, nos Jogos Olímpicos do Rio, em 2016.
Depois, pretende se aposentar. Nada mais justo.

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