Vice-campeã mundial de luta vê prejuízo técnico sem treino com marido

MARCEL MERGUIZO E ITALO NOGUEIRA, ENVIADOS ESPECIAIS
TORONTO, CANADÁ (FOLHAPRESS) – Aline Silva está sentindo falta do marido em Toronto. A saudade não é apenas dos carinhos do companheiro, mas de poder lutar com ele também.
Flávio Ramos aceita ser jogado no chão, carregado nos ombros e empurrado pela mulher quase que diariamente desde o início do ano passado. Assim ela se tornou vice-campeã mundial de luta olímpica.
No entanto, a lutadora brasileira não treina com o marido há 25 dias. E isso é um problema em sua preparação. Afinal, ele só é sparring dela porque não há no país adversária, nem sequer para os treinos, no peso e na força de Aline.
“Ele não veio a Toronto porque não encontraram um jeito de trazê-lo para a equipe. Até quando isso vai durar? Espero que para a Olimpíada do Rio isso mude”, afirmou Aline nesta terça-feira (7).
Na preparação para o Pan, que incluiu duas semanas no Japão, ela diz que chegou a ficar sem treinar ou utilizou até mesmo o treinador da seleção brasileira, o cubano Angel Torres, como adversário.
“Tem sido uma dificuldade. Tem influência no treino”, afirma Torres.
No último Pan, Aline foi prata na categoria até 72 kg. Em Toronto busca novamente o pódio na até 75 kg.
“Eu peso quase 80 kg. A menina mais pesada da equipe deve ter uns 70 kg. Então tenho que dosar força nos treinos para não machucá-las. Com meu marido solto toda minha brutalidade. Por isso talvez perca ritmo para a competição. É uma barreira”, explica Aline.
Na equipe brasileira que está no centro de treinamento do Brasil, na Universidade de York, em Toronto, há oito atletas no feminino, cinco que vão competir no Pan e três sparrings (que ajudam as outras nos treinos).
“Ela não joga todo peso sobre nós porque sabe que pode machucar. Então aproveita para treinar velocidade. E nós aproveitamos para treinar força. Mas já sabemos, quando viaja ela sofre”, diz Camila Fama, uma das sparrings da seleção que treina com Aline apesar de ser da categoria até 53 kg.
“Entendo a dificuldade que seria, mas não posso pagar para meu marido vir treinar comigo aqui. Tenho dez anos de luta, sou profissional, sei separar as coisas”, disse a lutadora.
O casal se conheceu há 13 anos. Ambos treinavam judô no Centro Olímpico, no Ibirapuera, em São Paulo. Reencontraram-se em 2009, quando ela foi para um projeto do Sesi, também na na capital paulista. Eles se casaram no final do ano passado.

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