Woody Allen completa 80 anos, com 76 roteiros e uma série

Se Woody Allen tivesse escrito um roteiro por ano, poderia-se dizer que sua carreira começou aos 4. O cineasta completa nesta terça-feira (1º) 80 anos de vida e 76 produções como roteirista. Como diretor, participou de 52 projetos, como ator, de 44.

Os números descomedidos fazem jus a esta proposta. Ao menos, é o que ele tem de fato feito nas últimas três décadas.

Prolífero, o diretor é ao mesmo tempo criticado por produzir “muito do mesmo”. Seus longas trazem invariavelmente um clichê de um judeu nova-iorquino erudito, inseguro e melancólico. E, invariavelmente, o próprio interpreta o personagem, quando seu alter-ego não é encarnado por alguém a sua semelhança -caso de Larry David em “Tudo Pode dar Certo” (2009).

Em entrevista à rádio americana “NPR”, em julho deste ano, Allen assumiu que não faria melhor, se fizesse em menor quantidade.

“Não é como se eu sentisse: ‘Oh, se tivesse mais tempo e dinheiro, teria feito isso melhor’. No final das contas, é uma questão das fraquezas nos dons e personalidades de cada um.”

Sobre suas fraquezas, disse ser preguiçoso e pouco perfeccionista.

POLÊMICAS

Allan Stewart Konigsberg cresceu numa casa ortodoxa do Brooklyn, na qual a principal língua era o ídiche, quando não o alemão. Na juventude, sofreu de claustrofobia e agorafobia -medo da multidão. Aos 30, era conhecido como um dos melhores comediantes dos Estados Unidos.

Em 1997, aos 61, casou-se com a filha adotiva de sua ex-mulher, Mia Farrow.

Seu relacionamento com a coreana Soon-Yi tornou-se fonte de polêmica não apenas pela diferença de idade entre os dois (35 anos), mas também por, na sequência, Farrow passar a acusá-lo de ter estuprado sua outra filha adotiva, Dylan, quando ela tinha 7 anos. Nada foi provado.

Há quem diga, ainda, que o episódio significou o fim da “era de ouro” de Woody Allen, marcada por produções como “Noivo Neurótico, Noiva Nervosa” (1977), “Manhattan” (1979) e “Hannah e Suas Irmãs” (1986).

Allen vive hoje uma vida pacata ao lado da mulher e dos filhos. Diz deixar as crianças na escola, tocar seu clarinete, caminhar na esteira e escrever em sua máquina de datilografar. Quando quer, se faz de surdo.

NUNCA É TARDE

Se seu estilo pode estar desgastado na grande tela, o octogenária não se acanha pela idade, e embarcou recentemente em uma projeto inédito em sua carreira: uma série, um projeto da Amazon ainda sem título ou data de estreia.

Diz ele, curiosamente, nunca ter assistido a uma série, e tampouco pretender ver.

Atualmente o cineasta finaliza também seu mais novo filme, e escreve o próximo. Convencido pelo diretor de fotografia Vittorio Storaro, rendeu-se a outra novidade aos 80: pela primeira vez gravará com uma câmera digital.

Em São Paulo, o aniversário será lembrado a partir desta terça em uma mostra no Sesc Campo Limpo, que exibirá clássicos do diretor, além de “Woody Allen – Um Documentário”, dirigido por Robert B. Weide. A programação completa pode ser conferida aqui.

Clique para comentar

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Para cima