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O grande desafio das pequenas coisas

O fotógrafo Lucas Tanuri, que também desenha, faz música, escreve e é pai de Marina e Gael, criou uma dinâmica muito legal com sua filha, que tem característica de transtorno do espectro autista. Para melhorar a comunicação com ela, eles desenham juntos desde que ela era bem pequenininha.

Este ano, a família começou com uma brincadeira que fez da conta do Instagram do Lucas uma das mais divertidas de se acompanhar. Todos os dias, Marina deixa um objeto sobre a mesa do pai, e ele faz uma ilustração utilizando aquela pequena coisa.

As ilustrações são essas que você pode ver na página. O fotografo explica mais sobre a brincadeira em um texto escrito por ele.

Lembro que, desde que a Marina era pequena, eu sempre gostei de desenhar para ela por ser um momento divertido, um momento de união nossa, de integração. Com o tempo, fui percebendo também como isso ajudava em nossa comunicação.''

Ela não possui um diagnóstico fechado, foi enquadrada dentro do transtorno do espectro autista por suas características semelhantes, mas alguns médicos e especialistas ainda possuem outras opiniões. Para nós, ela é a Marina, a menina mais linda do mundo.

Essa ideia dos desafios com objetos surgiu por acaso aqui em casa, com iniciativa de minha esposa, a Larissa. Agora, todos os dias ela me entrega algum objeto para ver o que é possível desenhar com ele.

Foi mais uma das formas que criamos para brincar, nos distrair, nos compreender, manter o contato e estimular a criatividade.

É difícil compreender uma pessoa quando não temos uma comunicação muito clara ou quando não raciocinamos da mesma forma. É preciso rever por uma outra perspectiva, ter paciência, criar outras formas e, principalmente, observar bastante.

Todos os dias recebemos algo de alguém com o qual não sabemos muito bem como lidar: um serviço complicado, a perda de alguém, mudança de emprego, erro na conexão do 3G em nossos celulares. Às vezes uma ofensa, às vezes um elogio… ou uma filha/filho que tem uma maneira diferente de pensar. Da mesma forma, sem querer entregamos algo para alguém: um insulto, uma situação mal explicada. E esse alguém também não saberá como lidar. Precisamos rever sempre tudo em uma outra perspectiva, em um outro ângulo, e sempre que possível compreender o ponto de vista do próximo antes de tirar nossas conclusões.

Tudo se trata de como interpretamos, como vemos e o que criamos com o que nos aparece.

Não tenho nada o que mudar nela. Esse é um desafio que tem me ajudado muito como pai. E acredito que se me tornar um pai um pouco melhor já será algo positivo para ela também.

Demos o nome dessa brincadeira aqui em casa de ‘O Grande Desafio das Pequenas Coisas’. Afinal, o desafio não é tão grande assim, da mesma forma que as ‘coisas’ também não são tão pequenas’.

Lindo, não é mesmo? Se tiver interesse em conhecer um pouco mais sobre a bincadeira, siga o Lucas no Instagram: @lucaoart. Além das ilustrações, tem um pouco de todo o trabalho impecável que ele assina.

 

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