Opinião

A prole e a pobreza

* Padre Judinei Vanzeto

As esperanças das pessoas mais vulneráveis são seus filhos? Por que as famílias empobrecidas são mais numerosas? Há razões simples e pertinentes passiveis da análise em relação a essas questões, como, por exemplo, a sensibilização, a falta de oportunidades e o comodismo.

Percebe-se claramente que muitas pessoas, para mendigarem comida ou algumas moedas, valem-se dos filhos para sensibilizar as pessoas. Quem não se sensibiliza ao ver uma mãe com três ou quatro crianças pequenas? Quem terá a coragem de negar-lhes algo para comer? Pode-se dizer que é uma vantagem ter muitos filhos.

Mas a vantagem vira desvantagem com o passar do tempo, pois as crianças crescem dependentes para sobreviver. E quem as beneficia, tocado pela sensibilidade, vira um mero assistencialista e colaborador com o aumento da pobreza. Uma coisa é socorrer uma situação num contexto específico da realidade da pessoa, outra coisa é promover o assistencialismo.

O comodismo de muitos políticos, nossos representantes no poder executivo e legislativo, também é uma das causas contundente do aumento da pobreza quando deixam de lado políticas públicas em prol do bem comum. Em vez de lutarem em prol dos necessitados, que são as primeiras vítimas de um sistema econômico excludente, lutam por interesses próprios, pequenos grupos e cartilha do partido.

Há também carentes que se acomodam em seu “mudinho” e não querem sair dele, pois é mais cômodo ser dependente do que lutar pelo sustento de sua família.

Diante dessas pessoas acomodadas, o que se pode fazer? Dar a elas o que pedem ou dar-lhes oportunidades? E se não aceitam oportunidades, o que fazer? Por vezes não aceitam serem instigadas a uma condição de vida melhor. Será a falha no método de abordagem ou o há algo mais profundo?

O governo possui muitos benefícios para erradicar a pobreza, mas, em muitos casos, essa ajuda acaba sendo uma forma de estimular o comodismo de quem os recebe. Como é feita, a ajuda parece não atingir o efeito esperado. Dar dinheiro facilmente, como acontece nos programas sociais e emergenciais vigentes, não parece ser a melhor solução. O que se ganha fácil geralmente não se aproveita devidamente, mas o que se conquista com esforço do trabalho é mais valorizado. Dessa maneira, o emprego e cursos profissionalizantes seriam uma boa solução para minimizar a pobreza.
Sobre a pobreza muito se poderia refletir, apontando as suas causas, os culpados e até mesmo possíveis soluções. Escrever ou falar em auxiliar o próximo é sumamente fácil; o difícil é ajuda-lo de fato. Enquanto se fica no debate, a pobreza continuará aumentando os seus filhos que, de certa forma, para eles serão uma espécie de esperança. Afinal, como na época do proletariado, a sua única posse era a sua prole.

Mas, de fato, se quiser corroborar com uma pessoa ou família, busque acompanhá-la e oferecer oportunidades, estímulos, possibilidades para que por si mesma possa alcançar independência. Isso faz lembrar o velho ditado popular: “não dê o peixe, mas a vara, a linha e o anzol e ensine a pescar”. Também o slogan: “Não dê esmolas, dê oportunidades”.

Jornalista, diretor administrativo da Rádio Vicente Pallotti, gestor da Unilasalle/Fapas Polo Coronel Vivida e pároco da Paróquia São Roque de Coronel Vivida-PR

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