Opinião

Algumas lições do seriado Lúcifer

Nestes tempos de isolamento social as pessoas tiveram mais tempo para ficar em casa e, consequentemente, realizaram atividades comuns diversas. Entre elas, por exemplo, curtiram a família, um filme, um seriado, jogo cartas, brincaram, pularam, comeram. Realizaram outras tantas proezas para amenizar o tédio e a ansiedade de ficar muito tempo dentro de casa. Aliás, para muitas pessoas, ficar em casa era apenas para dormir, porque a rotina de trabalho engolia o tempo que se deveria ter mais dedicação para com a família.

Entre as opções de atividades assisti três temporadas do intitulado Lúcifer, oferecido pela Netflix. Assim faço uma singela consideração sobre a mesma. A Netflix disponibilizou a série em setembro de 2016. Lúcifer é baseado no personagem dos quadrinhos de Sandman, de Neil Gaiman. A série apresenta o diabo como um anti-herói que questiona os desígnios divinos e defende o livre arbítrio. 

A série começa com Lúcifer Morningstar (Tom Ellis), que aborrecido com o dia a dia do purgatório resolve tirar férias e vira um empresário bem-sucedido em Los Angeles, nos Estados Unidos. Ele acaba se envolvendo na investigação policial, chefiada pela detetive Chloe Decker (Lauren German).

Ao longo dos episódios é apresentado um excelente equilíbrio entre o sobrenatural urbano e a investigação policial. Os humanos se sentem compelidos a contar a Lúcifer as suas mais profundas verdades (muitas vezes feias, criminosas, obscuras). Ele interroga os suspeitos a confessarem seus crimes. 

No enredo, Lúcifer olha nos olhos das pessoas e elas chegam a sua verdade. Confessam suas reais intenções. Ninguém escapa da sua verdade nua e crua. É um encontro com seu eu. Sua verdade vem à tona. 

Acredito que as pessoas deveriam assistir este seriado com senso crítico, tendo presente que ele é apenas uma série de entretenimento, não é uma verdade religiosa.

or outro lado, o mesmo leva a refletir sobre o pecado, a culpa, o arrependimento e a responsabilidade. Pois, é muito fácil colocar a culpa dos próprios erros nas outras pessoas. É muito mais fácil jogar a autoria dos pecados ao diabo. Se Deus deu o livre arbítrio, por que aquilo que acontece de ruim é culpa do diabo? Cadê a liberdade? Pois toda escolha feita por uma pessoa tem consequência, responsabilidade, perdas, ganhos e possibilidades.

A série faz pensar e refletir também sobre a origem da maldade. Isso pode incentivar a voltar a estudar as ciências humanas, como, por exemplo, a filosofia, que por sua vez, trata acerca da problemática do mal no mundo à luz da razão. 

Além da filosofia, a ciência teológica também aborda as questões humanas pelo viés da fé. Os seres humanos têm situações obscuras que só a própria pessoa e Deus conhecem. Mas, quando há a confiança na misericórdia, quando a pessoa abre seu coração numa profunda Confissão, acontece uma verdadeira libertação e cura interior. Ademais, o perdão é o melhor remédio que não se encontra nas farmácias; é de graça e não tem contraindicação. 

Outra questão intrigante no seriado é a incógnita: por que Lúcifer não consegue seduzir a detetive para saciar sua vontade carnal? Lúcifer, ao se aproximar dela sente sua humanidade, torna-se mortal. Uma das teorias que pode ser levantada sobre essa questão é que Decker é batizada (cristã). Com o batismo, ela torna-se divinizada, agraciada, protegida. Uma pessoa batizada tem em si a proteção divina e Lúcifer não consegue tocá-la com suas investidas mal-intencionadas.

* Judinei Vanzeto é jornalista e pároco da Paróquia São Roque de Coronel Vivida 

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