Opinião

Atos inconsequentes

* Judinei Vanzeto

Durante o período de campanha eleitoral, infelizmente, muitos candidatos descumpriram os protocolos de saúde no tocante ao distanciamento social, uso de máscaras e álcool em gel. Outros provocaram aglomerações comemorativas com grande número de pessoas sem proteção pessoal contra o novo coronavírus. Além disso, infringiram leis municipais ao soltar fogos de artifícios desrespeitando horário, perturbando o sossego de bebês, crianças, pessoas idosas e doentes, bem como os animais, sobretudo, os cães.

Interessante que durante esta pandemia do novo coronavírus, causador da doença Covid-19, exige-se tantos cuidados para as igrejas e escolas, mas para grupos diversos as autoridades fecham os olhos. É claro que a igreja sempre terá prioridade ao cuidado da saúde e da vida das pessoas, só não entendo porque tantas exigências de segurança para uns e para outros grupos nada acontece. Estão estes acima da lei? Proteção especial contra essa doença que já dizimou milhares de pessoas?

Infelizmente, nessas últimas semanas tem aumentado os casos positivos em muitas regiões do país e do mundo. Uns até dizem que vem aí uma segunda onda do novo coronavírus. Hoje também a medicina tem crescido no conhecimento dos sintomas, diagnósticos e tratamento da doença. Algumas pessoas afirmam que se em grande proporção de pessoas infectadas ao mesmo tempo, poucas morrerão. Por isso, não precisa se preocupar com a contaminação. Esquecem, porém, que uma vida é importante, nenhuma vida é descartável, ninguém pode ser desprezado.

A saúde foi pauta de propostas nas campanhas, bem como a educação, o emprego, os migrantes, a economia, a agricultura familiar, o cuidado com as nascentes d’água, a utilização de agrotóxico nas lavouras, o programa de habitação, a segurança, a drogadição. Foram tantas as promessas de campanhas que alguns não terão folego de cumpri-las na totalidade, pois muitas delas apenas retórica para fazer do voto do povo um engodo.

Ao fazer uma releitura da realidade das consequências a curto, médio e longo prazo, devido ao novo coronavírus, a economia sofrerá grande impacto em 2021. Os eleitos e reeleitos para os próximos quatro anos para o executivo e legislativo deverão estar cientes que não será um mandato de ruas de flores, muitos são os espinhos pelo caminho. E sendo eleitos em prol do bem comum terão a obrigação de cuidar para que os espinhos não machuquem o povo, sobretudo, os mais vulneráveis da sociedade.

Os pobres, por vezes, são os mais prejudicados em tudo pela sua condição social. Os menos desfavorecidos precisam ser empoderados e não instrumentalizados. Não basta dar-lhes uma cesta básica, faz-se necessário dar condições para pescar. A primeira ação para auxiliá-los a sair dessa situação é oferecer autoestima.

Desde o nascimento, a vida necessita de condições para promover a autoestima. Para tal, as pessoas esperam serem bem tratadas, cuidadas, acolhidas, ouvidas e garantidas em seus direitos. Como assegura a escola humanista da psicologia de Rogers: “Todo ser humano, sem exceção, pelo mero fato do ser, é digno do respeito incondicional dos demais e de si mesmo; merece estimar-se a si mesmo e que se lhe estime.”

Enfim, que os eleitos não sejam inconsequentes perante ao que se propuseram realizar durante o período de campanha. Que o bem comum seja a bandeira e não apenas uma parte, ou seja, o ensejo do partido. Parabéns aos eleitos de modo justo e honesto e aos que desobedeceram às leis eleitorais comprando votos, só lamento, começaram com atos inconsequentes perante os munícipes.

Judinei Vanzeto é jornalista, técnico em Contabilidade, licenciado em Filosofia, bacharel em Teologia, e com especialização em Gestão de Instituição de Ensino e especialização em Jornalismo Digital. Além disso, é diretor administrativo da Rádio Vicente Pallotti e pároco da Paróquia São Roque de Coronel Vivida (PR)

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