Opinião

Candidatos de vestes brancas e soluções fáceis

Por padre Judinei Vanzeto

Estamos no ano de eleições municipais e, neste meio tempo, os partidos definiram seus candidatos em suas convenções. E a nós todos caberá a tarefa de escolher bem os nossos representantes para administrarem os bens públicos (res publica) em conformidade ao bem comum.

Iremos às urnas para escolher o prefeito e vereadores. Mas, o que mesmo significa o termo “candidato”? A palavra significa vestido de branco, puro, límpido, cândido.

A palavra candidato tem sua origem na Antiga Roma, onde aqueles que queriam disputar um cargo eletivo eram obrigados a desfilar pelas ruas usando vestes brancas, uma demonstração da pureza de sua vida e de suas intenções. Cabia aos cidadãos aceitar a apresentação ou jogar lama nos camisolões brancos daqueles que estavam enganando a população.

Hoje, a aceitação ou não deste ou daquele candidato se dá pelas urnas. A lama foi substituída pelas urnas. Mas como saber, de fato, a verdadeira intenção dos candidatos? É muito difícil de conhecer o mistério que o ser humano carrega dentro de si mesmo.

Contudo, uma das maneiras viáveis para perceber a postura ética dos candidatos é olhar sua vida, sua história, sua vida familiar, como administra seus bens, sua empresa, sua lavoura, sua trajetória pela comunidade, bairro, cidade etc., a fim de constatar se suas ações foram de interesses pessoais, particulares ou teve dedicação, sacrifício, postura e vocação em prol do comunitário.

O candidato tem o direito de “desfilar” pelas ruas para apresentar as suas propostas, porém muitos deles colocam-se na posição de um “super-homem”, ou seja, vão resolver todos os problemas e chegam a propor coisas absurdas em seus discursos.

Além disso, o adversário possui todos os defeitos e limitações possíveis, mas o “super-homem”, todas as qualidades. Buscam desqualificar o outro, etc. Será isso mesmo? Pode-se afirmar difamando a imagem do outro? Começam as fakes news (notícias falsas) em detrimento aos adversários partidários.

Diante desses se poderia fazer uma simples interpelação: dê três razões para votar em você! O candidato sério e consciente irá perceber que não é um “super-homem” e que não tem solução para tudo. Aquele que consegue perceber suas limitações e qualidades pode ser merecedor do voto de confiança; contudo, daquele que se coloca no patamar de “salvador da pátria” e fica falando mal do adversário, deve-se desconfiar, pois está se valendo da arte de bem falar para persuadir em busca de seus interesses no futuro próximo.

Muitos candidatos se utilizam da arte do bem falar para convencer o eleitor com suas propostas, porém deve ser averiguada com cuidado a fundamentação de suas falas. Para isso, portanto, seria interessante se cada eleitor pudesse questionar, de fato, cada um que lhe pedir o seu voto, pois assim os aproveitadores e interesseiros teriam poucas chances de ingressar na vida pública. Além disso, seria importante que os mais esclarecidos pudessem colaborar para a conscientização da população na purificação dos candidatos que buscam somente status, poder, prestígio e fazer de um cargo eletivo uma profissão.

Seria interessante se cada eleitor pudesse questionar, de fato, cada um que lhe pedir seu voto. Além disso, infelizmente, na grande maioria dos 5.570 municípios brasileiros há a compra e venda de votos. O candidato que oferece dinheiro já está provando que sua camisola não é branca, é corrupto. Deve ser preso, pois está cometendo um crime. E o eleitor que vende seu voto é mais corrupto que o candidato que ofereceu dinheiro em troca de favor eleitoral. Pois bem, muitas vezes elege-se um corrupto devido ao seu “investimento” na calada da noite, na compra de votos, nas vésperas da votação, na boca da urna, comprometendo gravemente a população por quatro longos anos.

Enfim, como diz aquele antigo slogan: “Voto não tem preço, têm consequências” (CNBB).

Judinei Vanzeto é jornalista, técnico em Contabilidade, licenciado em Filosofia, bacharel em Teologia, e com especialização em Gestão de Instituição de Ensino e especialização em Jornalismo Digital. Além disso, é diretor administrativo da Rádio Vicente Pallotti e pároco da Paróquia São Roque de Coronel Vivida (PR)

1 comentário

1 comentário

  1. Olivo Dambros

    23 de setembro de 2020 às 11:53 AM

    Muito sábias as palavras escritas pelo padre Judinei.
    A Igreja Católica tem feito muitos esforços pra melhorar a política. E aos poucos a sociedade vai se despertando.
    Transformar a campanha eleitoral e um momento para debater o município deve ser a orientação dos candidatos.Nós queremos fazer isso.

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