Opinião

Com São Roque, a festa da partilha

Por padre Judinei Vanzeto

No próximo domingo (16), a Paróquia São Roque de Coronel Vivida (PR) celebrará sua 66ª Festa, com o lema: “Com São Roque, a festa da partilha”. Tendo como inspiração as primeiras comunidades, quando os cristãos eram perseverantes em ouvir os ensinamentos dos apóstolos, na fraternidade, na partilha do pão e nas orações (cf. At 2,42).

Como não haverá a tradicional festa, devido a pandemia do novo coronavírus, as famílias das 56 comunidades receberam um envelope para oferecer uma oferta e estão convidadas a participarem de missa de dentro de seus veículos, no Campo do Complexo Esportivo Barro Preto. Após a celebração haverá procissão motorizada com a imagem do padroeiro pela cidade.

Roque nasceu no ano de 1295, em Montpellier, na França. Quando nasceu, todos ficaram surpresos por causa de uma marca em seu peito: uma cruz vermelha. Era de família nobre e distinta. Seu nascimento foi uma bênção de Deus. Fruto e resultado de muita oração. Sua mãe, chamada Libéria, era devota da Nossa Senhora e pedia a insistentemente a graça de poder ter um filho, mesmo em idade avançada. E ela foi atendida. Imensamente grata a Deus e a Nossa Senhora, dedicou-se à educação do filho e soube incutir nele a devoção a mariana.

Roque ficou órfão dos pais na adolescência e herdou uma grande fortuna. Como cristão convicto educado por sua mãe, desejava viver na pobreza, em imitação a Cristo. Por isso, quis repartir todos os seus bens entre os pobres. E ia fazer isso em segredo, como disse Jesus. A pouca idade, porém, não permitia que se dispusesse de seus bens. Então, os confiou tudo a um tio. Depois, partiu sem nada para a cidade de Roma, mendigando ao longo do caminho.

Roque viveu por três anos na cidade de Roma e passava muito tempo em oração na tumba dos apóstolos. Ali contraiu a praga e para não ocupar mais um leito no hospital, arrumou um lugar na floresta para esperar a morte. Pela graça de Deus, viu nascer próximo a cabana onde vivia, uma pequena fonte de água límpida e cristalina. Ao beber e se lavar nas águas, sentia grande alívio em suas feridas.

Outro fato intrigante foi que um cachorro o encontrou e começou a levar pão. O dono do cão, notando a regularidade com que o animal fazia isso, seguiu-o e o encontrou. Roque ficou curado da doença e obteve a conversão de seu benfeitor. Então, Roque ficou um tempo em Piacenza e curava os doentes com suas orações.

Chegando a Toscana, em Aguapendente, na Itália, viu a grande mortalidade causada pela peste. Pediu permissão ao administrador do hospital para assistir aos doentes. Logo que Roque se pôs entre os enfermos, cessou a epidemia em toda a cidade. O mesmo aconteceu em Cesena e em outras localidades. Curou muitos fazendo apenas o sinal da cruz. Dizia-se que a peste fugia de Roque.

Ao retornar a Montepellier, não o reconheceram e acabou preso. Pensavam que era um espião disfarçado de peregrino, pois havia uma guerra civil. Ficou na prisão por cinco anos. No dia 16 de agosto de 1327, foi encontrado morto em sua cela e, então, realizou seu primeiro milagre depois de morto. O carcereiro, que era manco desde o nascimento, ficou curado ao tocar o corpo de Roque com o pé, para ver se ele estava vivo, dormindo, ou se estava morto. Ao tirarem sua roupa para sepultá-lo, foi reconhecido por causa da cruz marcada em seu peito.

No Concílio de Constance (1414-1418), a praga ainda ameaçava a população. Os dirigentes pediram a proteção e a intercessão de São Roque e a praga cessou. Sua canonização e seu culto foram aprovados rapidamente. As relíquias de São Roque foram levadas para Veneza. Ele é reverenciado e invocado na França e na Itália como protetor contra doenças e pragas.

São Roque é representado com um cachorro ou como um peregrino usando capa, chapéu, botas e, às vezes, segurando um cajado. Como protetor dos cães, é mostrado com o cachorro lambendo suas feridas. Ele também é invocado como padroeiro dos inválidos, dos cirurgiões e da grei. No Brasil, na cidade de São Roque (SP), encontra-se a principal Igreja consagrada ao Santo. Ali há uma relíquia, parte de seu braço.

Em tempo de pandemia, invoquemos a intercessão de São Roque. “São Roque que vos dedicastes com todo o amor aos doentes contagiados pela peste, embora também a tenhais contraído, dai-nos paciência no sofrimento e na dor. São Roque, abençoai os médicos, fortalecei os enfermeiros, os intensivistas de UTI, os atendentes de hospitais, os voluntários e os cuidadores dos doentes. De modo especial curai as feridas expostas, as doenças graves e virais.”

* Judinei Vanzeto é jornalista, técnico em Contabilidade, licenciado em Filosofia, bacharel em Teologia, e com especialização em Gestão de Instituição de Ensino e especialização em Jornalismo Digital. Além disso, é diretor administrativo da Rádio Vicente Pallotti e pároco da Paróquia São Roque de Coronel Vivida (PR)

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