Opinião

Conversão ao diálogo e a paz

* Padre Judinei Vanzeto

A conversão não é um instalo mágico na vida de uma pessoa, não é transformação instantânea do ser o do agir, mas um processo contínuo que perdura a vida inteira.  Embora os toques das experiências fortes sejam importantes é válido observar que a conversão são mudanças de atitudes permanentes e diárias.

A palavra conversão em grego é “metanoia” que significa mudança de mentalidade, ou seja, deixar de acreditar em uma determinada crença para vivenciar um novo modo de enxergar a vida.

Na ótica teológica, a metanoia importa o processo de arrependimento e conversão do indivíduo para uma determinada doutrina ou seguimento. Consiste, portanto, na reinterpretação que a pessoa tem da sua vida, seja moralmente, intelectualmente ou espiritualmente.

Um exemplo clássico de conversão no Novo Testamento é a mudança de vida de Saulo (cf. Ato 9), pois de Judeu convicto e perseguidor dos cristãos, passa a ser seguidor do Caminho, tornando-se num dos mais importantes missionários do primeiro século do Cristianismo.

Hoje, em pleno século XXI, existe uma conversão necessária e urgente a ser concretizada: a conversão ao diálogo e a paz. Poucas pessoas conseguem dialogar, respeitar e ouvir a opinião do outro. As redes sociais viraram um campo minado, uma guerra sem fim. A polarização tomou conta da vida das pessoas. A polarização é um veneno para a democracia, para o diálogo.

Jesus Cristo, por sua vez, nunca orientou seus seguidores a criarem inimizades e perseguirem as pessoas. As suas palavras sempre foram orientadas para que as pessoas assumissem compromissos em defesa da vida, da igualdade e do diálogo.

O Texto Base da Campanha da Fraternidade Ecumênica 2021 traz um exemplo prático de Jesus ao citar o evangelista Mateus 19, 16-22, que narra a história do jovem rico que desejava herdar a vida eterna. “Ao perceber que ele seguia todos os mandamentos, Jesus o desafia a assumir uma nova vida, na qual a partilha dos bens é condição irrenunciável. Ao nos ensinar a partilhar tudo o que somos e temos com os pobres, Jesus revela que a concentração de riquezas não é coerente com a paz, porque toda a concentração de riqueza gera desigualdade, conflitos e segregação” (n. 9).

Outro exemplo bíblico sobre as atitudes e ensinamentos de Jesus Cristo é identificado no Evangelho de João 8, 3-13, que conta a história da mulher que seria apedrejada porque, segundo seus acusadores, teria sido pega em flagrante adultério. “Aqueles homens exigiram a restrita aplicação da Lei mosaica. Jesus não julga a mulher, mas provoca os acusadores à autocrítica, ao propor que quem não tivesse pecado atirasse a primeira pedra. Nenhum dos homens ousou apedrejar a mulher. Com isso também ela teve sua vida transformada (cf. Jo 8,11) e pôde continuar a viver livre de acusações e julgamentos” (Texto Base, CFE, 2021, n. 10).

Portanto, nesse tempo de Quaresma misturado com as dores e sofrimentos provocados pela pandemia, pode-se ouvir o grito do povo clamando pela paz. “A paz que invade, com o vento do Espírito, a rotina e o medo, o sossego das praias e a oração de refúgio. (…). Dá-nos a tua PAZ, Senhor, essa PAZ marginal que soletra em Belém e agoniza na Cruz e triunfa na Páscoa” (Poema: “A paz inquieta”).   

* Padre, jornalista, diretor administrativo da Rádio Vicente Pallotti, gestor da Unilasalle/Fapas Polo Coronel Vivida e pároco da Paróquia São Roque de Coronel Vivida-PR

Clique para comentar

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Para cima