* Padre Judinei Vanzeto

Nas bem-aventuranças, em Mateus capítulo 5, versículo 9 lê-se: “Felizes os que promovem a paz, porque serão chamados filhos de Deus”. Em João capítulo 20, versículo 26, o evangelista afirma que a “paz é dom do Cristo ressuscitado”. A paz é uma condição do reino de Deus. O Evangelho promove a paz, a comunidade que acolhe Cristo tem paz. A paz derruba os muros de separação, reconcilia as pessoas e constrói pontes entre os vizinhos.

Em Lucas capítulo 19, versículo 41, ao avistar a cidade de Jerusalém, Jesus chorou, porque ela desconhecia aquele que poderia lhe promover a paz.  

A paz, ou melhor, shalom, é um tema puramente bíblico. Shalom é uma palavra hebraica que, por sua vez, significa paz, harmonia, integridade, bem-estar e tranquilidade. Em tempos de pandemia, venha a paz sobre a humanidade inteira. Venha a harmonia, a integridade e a tranquilidade interior.

A paz bíblica não é meramente a ausência de guerra, é a realidade de salvação manifestada na promessa profética do “Príncipe da Paz” de Isaías capítulo 9, versículo 6. Na visão messiânica do reino de Deus, a promessa da paz comporta até uma harmonia e boa convivência entre os animais selvagens e a criança que brinca com a serpente em sua toca. Além disso, o salmista canta em sua prece que amor e verdade se encontram, a justiça e a paz se abraçam (cf. Sl 85,8-14).

Na história da salvação há uma dimensão social que se fundamenta em Deus, quando judeus e gentios se reconciliam “em um só mesmo espírito”, e reconhecem-se filhos do mesmo Deus-Pai. A paz, enquanto reconciliação traz algo novo, profundo e verdadeiro. Acontece uma nova maneira de relacionamento com Deus, com os irmãos. É uma relação entre o Pai de Jesus Cristo, que é também Pai da humanidade, a família de Deus (cf. Ef 3,15).

O número 131 do Texto-Base da Campanha da Fraternidade Ecumênica de 2021 afirma que: “A paz que brota da fé em Cristo é a superação da inimizade e do ódio. Ela promove a unidade (cf. Ef 4,1-6), enquanto o ódio provoca inimizades e agressões e a guerra mata e destrói. A paz permite cuidar e reconstruir a convivência social – “sois da família de Deus” – irmãos e irmãs (cf. Ef 2,19)”.

Na carta de São Paulo, à comunidade de Efésios escreve, que os cristãos não podem permanecer infantis na fé, mas amadurecerem na fé em Cristo. A maturidade cristã na fé se dá no seguimento incondicional a Jesus Cristo. Nele encontra-se a capacidade do amor integral que não impõe restrições para amar o próximo. Deus não coloca critérios para amar. Aliás, “Deus é amor” (1Jo 4,8), como diz o apostolo João.

Assim, os cristãos são chamados a viverem irrepreensivelmente no amor, no zelo pela unidade, num estado permanente de missão pela vida, na conversão constante e no fortalecimento do fruto da paz. Pois os ensinamentos de Jesus Cristo comprometem seus seguidores à prática do amor, do diálogo, da compaixão, do perdão e do convício fraterno. Cristo derrotou o pecado e a morte com sua paixão, morte e ressurreição. Derrotou também os poderosos e os soberbos. Foi vitorioso nas provações do ter, do poder e do prazer, trazendo a verdadeira paz.

Assim sendo, na carta aos Efésios são apontadas as estratégias que possibilitam as relações humanas: a verdade revelada pela prática da justiça, o Evangelho da paz, a fé, a Palavra de Deus, as orações e as súplicas constantes (cf. 1, 1ss). Enfim, Cristo é a nossa paz!

* Padre, jornalista, diretor administrativo da Rádio Vicente Pallotti, gestor da Unilasalle/Fapas Polo Coronel Vivida e pároco da Paróquia São Roque de Coronel Vivida-PR