Opinião

Diálogo inter-religioso e ecumênico

* Padre Judinei Vanzeto

Em meu período de férias visitei três templos religiosos. Um santuário marino católico, uma mesquita e um templo budista. Três religiões diferentes. As duas primeiras monoteísta e a terceira, panteísta. Isso me fez viajar rapidamente pela história da humanidade e recordar que em todos os povos e tempos há vestígios de religiosidade. Também me veio à lembrança a etimologia da palavra religião.

Etimologicamente, religião vem do latim religio, religare com o sentido de “ligar novamente”, “voltar a ligar” ou “religar”. Mas, o que mesmo foi desligado? Religar o ser humano ao transcendental.

Na visão judaico-cristã, Jesus Cristo veio religar o ser humano que havia rompido com seu Criador. O cristianismo tem sua raiz no judaísmo, tendo como princípio motivador a manifestação de Deus a Abraão em Genesis 12, 1-4.

O cristianismo e judaísmo foram utilizados como fontes para a elaboração do Alcorão de Maomé (570-632). A “Sharia” é a principal Lei Sagrada do Islã. Essa lei é o caminho que os muçulmanos devem seguir para viver em harmonia com Alá e cumprir a sua vontade, obedecendo os Cinco Pilares da sua doutrina.

O budismo foi fundado por Buda (563-483 a.C.) e tem por objetivo a libertação de cada pessoa do sofrimento e ajudá-la a encontrar felicidade. É o chamado nirvana, ou seja, estado de calma, paz, pureza de pensamentos.

O grande diferencial do cristianismo em relação às demais religiões constitui-se na chamada kenosis. Isto é, o próprio Deus em Jesus Cristo que se esvaziou de si mesmo e se abaixou, veio fazer morada no seio da humanidade. Enquanto que as outras religiões é o esforço do próprio homem na busca do transcendental a partir do imanente.

No tocante ao cristianismo, infelizmente, está fragmentado, dividido em inúmeras Igrejas. Existem as Igrejas tradicionais, as pentecostais e as neopentecostais. Não obstante, conta Tertuliano (Apolog. 39), que os primeiros cristãos levavam tão a sério as palavras de Jesus, – “Nisto conhecerão todos que sois meus discípulos: se vos amardes uns aos outros” (Jo 13, 35) – que as outras pessoas e grupos exclamavam admirados: “Vede como eles se amam!”.

Em Atos dos Apóstolos 4,32, Lucas afirma: “A multidão dos fiéis era um só coração e uma só alma”. Mas a divisão que se percebe hoje constitui numa das feridas abertas na vida dos seguidores de Jesus Cristo. A divisão, portanto, é um escândalo para os cristãos.

Jesus Cristo, por sua vez, orou pela unidade dos seus discípulos. “Que todos sejam um, como tu, Pai, estás em mim, e eu em ti” (Jo 17, 21).

Assim sendo, neste ano de 2021, a proposta da Campanha da Fraternidade é ecumênica, com o tema “Fraternidade e diálogo: compromisso de amor”. E o lema: “Cristo é a nossa paz: do que era dividido, fez uma unidade” (Ef 2.14a).

Jornalista, diretor administrativo da Rádio Vicente Pallotti, gestor da Unilasalle/Fapas Polo Coronel Vivida e pároco da Paróquia São Roque de Coronel Vivida-PR.

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