Opinião

Encíclica social “Fratelli tutti”

Por Judinei Vanzeto

No dia de São Francisco, 04 de outubro, o Papa Francisco publicou a Encíclica social “Fratelli tutti” (Todos irmãos). O documento é dividido em oito capítulos. Compartilho algumas fagulhas.

A Encíclica tem por objetivo promover uma aspiração mundial à fraternidade e à amizade social. Tendo como pano de fundo a pandemia do novo coronavírus (covid-19) que, segundo Francisco, “irrompeu de forma inesperada quando eu estava escrevendo esta carta”. A emergência sanitária global mostrou que “ninguém se salva sozinho” e que chegou realmente o momento de “sonhar como uma única humanidade”, pois somos “todos irmãos”.

No primeiro capítulo trata sobre “As sombras dum mundo fechado”, as distorções da época contemporânea: a manipulação e a deformação de conceitos como democracia, liberdade, justiça; o egoísmo e a falta de interesse pelo bem comum; a prevalência de uma lógica de mercado baseada no lucro e na cultura do descarte; o desemprego, o racismo, a pobreza; a desigualdade de direitos e as suas aberrações como a escravatura, o tráfico de pessoas, as mulheres subjugadas e depois forçadas a abortar, o tráfico de órgãos.

A Encíclica responde as sombras à luz do bom samaritano (cf. Lc 10, 25-37), a quem é dedicado o segundo capítulo, com o título: “Um estranho no caminho”. Numa sociedade doente que vira as costas à dor e é “analfabeta” no cuidado dos mais frágeis e vulneráveis. O amor constrói pontes e nós “somos feitos para o amor”. O Papa exortando os cristãos a reconhecerem Cristo no rosto de cada pessoa excluída. O sentido da solidariedade e da fraternidade nasce nas famílias e deve ser protegida e respeitada na sua “missão educativa primária e imprescindível”.

O direito a viver com dignidade não pode ser negado a ninguém, uma vez que os direitos são sem fronteiras, ninguém pode ser excluído, independentemente do local onde nasceu. O tema das migrações é tratado no segundo e no quarto capítulo. Diz o Papa é “um coração aberto ao mundo inteiro”.

No quinto capítulo traz o tema: “A política melhor”. A política representa uma das formas mais preciosas da caridade porque está ao serviço do bem comum e conhece a importância do povo, entendido como uma categoria aberta, disponível ao confronto e ao diálogo. A melhor política é aquela que protege o trabalho, “uma dimensão indispensável da vida social” e procura assegurar que cada um tenha a possibilidade de desenvolver as suas próprias capacidades. A tarefa da política é encontrar uma solução para tudo o que atenta contra os direitos humanos fundamentais.

No sexto capítulo fala sobre o “Diálogo e amizade social”, com o conceito de vida como “a arte do encontro” com todos, também com as periferias do mundo e com os povos originais, porque “de todos se pode aprender alguma coisa, ninguém é inútil, ninguém é supérfluo”.

O sétimo capítulo se detém sobre a guerra: “uma ameaça constante”, que representa a “negação de todos os direitos”, “o fracasso da política e da humanidade”, “a vergonhosa rendição às forças do mal”. Reflete sobre o valor e a promoção da paz nos “Percursos dum novo encontro”. A paz é uma “arte” em que cada um deve desempenhar o seu papel e a tarefa nunca termina. A paz está ligada ao perdão.

No último capítulo, o Papa se atém sobre “Religiões ao serviço da fraternidade no mundo” e reitera que o terrorismo não se deve à religião, mas a interpretações erradas de textos religiosos, bem como a políticas de fome, pobreza, injustiça e opressão. Um caminho de paz entre a religiões é possível para garantir a liberdade religiosa, direito humano fundamental para todos os crentes.

Enfim, o “Documento sobre a fraternidade humana em prol da paz mundial e da convivência comum”, assinado por Francisco, no dia 4 de fevereiro de 2019, em Abu Dhabi, junto com o Grande Imã de Al-Azhar, Ahmad Al-Tayyib: desta pedra miliar do diálogo inter-religioso, o Pontífice retoma o apelo para que, em nome da fraternidade humana, o diálogo seja adoptado como caminho, a colaboração comum como conduta, e o conhecimento mútuo como método e critério.

Judinei Vanzeto é jornalista, técnico em Contabilidade, licenciado em Filosofia, bacharel em Teologia, e com especialização em Gestão de Instituição de Ensino e especialização em Jornalismo Digital. Além disso, é diretor administrativo da Rádio Vicente Pallotti e pároco da Paróquia São Roque de Coronel Vivida (PR)

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