Opinião

Entremeios de angústia, medo, esperança e resiliência!

Prezados leitores, uso a expressão “entremeios”, emprestada do artesanato porque é assim que meu espírito se sente nesse momento. Num caminho de “entremeios”, de ligações, de coisas opostas, de uma coisa ou outra. Tenho deixado aqui recados de esperança, de fé, de ânimo.
Porém, desde que a pandemia foi anunciada pela Organização Mundial da Saúde, depois de ter subjugado países, regiões, castigado cruelmente os povos do mundo inteiro, a nossa visão de mundo, de esperança de “sair dessa” parece que encontra nuvens escuras.
Sim, nuvens escuras, porque são muitos e diversos os efeitos espirituais ou estados de alma, a que somos submetidos nesse período de quarentena, o que tem dificultado enormemente a nossa busca pelo equilíbrio entre razão e emoção, fundamentais para a nossa sobrevivência.
Já falei aqui que não podemos “enlouquecer”, que precisamos equilibrar nossas atitudes em busca de um mínimo de paz, de controle, de esperança, de fé.
Já disse, também, que precisamos da esperança de óculos, querendo dizer que necessitamos sim, de colocar uma grande dose de aumento nesse sentimento que dia após dia parece ser mais frágil.
Muita gente ainda não entendeu que estamos vivendo uma pandemia.  Enquanto uns se isolam, pratica as ações determinadas pelos órgãos de saúde, outros zombam dos cuidados que tomamos, e, como “valentões” desfilam sem máscara, o mínimo que se pede por respeito aos outros.
Entendo que estamos num compasso de espera. Esperamos pelo surgimento de um tratamento, de medicamentos, de vacinas. Entendo, também, que não podemos sair de casa, andar livremente, exercer “nosso direito constitucional” de ir e vir.
A verdade é que, de alguma forma, estamos nos sentindo presos e que de algum jeito precisamos abastecer nosso espírito de esperança e fé, enquanto o medo e a angústia corroem nossa mente. E, é, de certa maneira,  natural que, nessa altura, mais de 90 dias depois de reconhecida a pandemia no Brasil, e depois de passarmos pelo momento inicial de bombardeamento de informações, a nossa reação seja de angústia, de medo, de ansiedade, mas, também, de esperança de resiliência.
Quando falei da esperança sem miopia na semana passada, quis exatamente dizer que temos de ter esperança, sim, mas sem a “síndrome de Poliana”, como a personagem de uma obra da literatura universal, que a norte-americana Eleanor Porter escreveu em 1913. Obra que conta a história de uma garota que vê tudo “cor de rosa”, sem maldades, sempre acreditando no melhor das pessoas e da vida, sendo incapaz de fazer algum mal a alguém. Ela é toda amor e bondade.”, e é essa síndrome que não podemos assumir. Existe maldade em muitas situações atreladas à pandemia como “fake news” entre tantas outras.
Não é essa esperança “cor de rosa” que precisamos assumir. Mas uma esperança que se transforma em resiliência, isto é, reconhecemos que estamos vivendo um momento difícil, que ele é passageiro, mas precisamos invocar as nossas capacidades de reagir, de nos adaptarmos como seres humanos inteligentes que somos.
A resiliência no sentido da capacidade que cada pessoa tem de lidar com seus próprios problemas, de sobreviver e superar momentos difíceis, diante de situações adversas e não ceder à pressão, independentemente da situação.
Pensando em ser resiliente me veio à lembrança a letra de uma canção que comecei aqui a cantarolar mentalmente: “Reconhece a queda / e não desanima. / Levanta, sacode a poeira / e dá a volta por cima”.
Na década de 60, quando o compositor Paulo Vanzolini escreveu a canção Volta por Cima, certamente passou pela sua mente com estes versos poderia estimular a alguém sentir-se encorajado. Talvez nem pensasse ele que tais versos seriam utilizados não apenas pelas pessoas para transmitir ânimo, determinação e força aos outros, mas, também, que seriam citados por psicólogos, terapeutas, médicos, educadores, pedagogos para explicar didaticamente o conceito de resiliência.
E, é nessa direção que as escolas, as universidades, as igrejas, as famílias usam o sentido de resiliência, como a necessidade de desenvolver a capacidade que todo ser humano pode desenvolver para enfrentar dificuldades, superar obstáculos, vencer dores.
Penso que todos nós, famílias, escolas, comunidades, sociedade de modo geral precisa aprender a ser resiliente e quem sabe adotar a ideia de que Levantar, sacudir a poeira e dar a volta por cima seja a incrível arte de nos  reerguermos como seremos humanos, pensem nisso enquanto lhes desejo muita esperança/resiliência e uma ótima semana.

Assessor pedagógico da Faculdade Mater Dei e membro do CEE/PR
 

Clique para comentar

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Para cima