Opinião

Exercemos nossa democracia?

* Judinei Vanzeto

Passado um mês e alguns dias da posse dos eleitos e reeleitos no executivo e legislativo municipal de todo o país, parece válida uma reflexão filosófica acerca da palavra democracia.
A palavra democracia, etimologicamente, vem do grego na junção “demos” (povo) e “kratos” (poder), isto é, o povo representado no poder. Considerando o regime político brasileiro em exercício da democracia, vejo alguns questionamentos referentes às implicações do papel do político na sociedade, uma vez que esse exerce a representação do povo no poder. Entre as questões apresento algumas perguntas para problematização.
Da maneira que vemos o desdobramento da política, se pode dizer o povo no poder, em nosso país, uma vez que, pelo dever e direito do voto, elegemos alguns para a força representativa? Nossos representantes realmente deliberam em conformidade e na necessidade do povo? A condição deles é exatamente administrar o que é nosso, conforme a vontade do povo? Isso acontece? Eleger representantes é confiar responsabilidades aos mesmos.
Como deve ser, então, a postura do político que possui a delegação e a responsabilidade de representação do povo? O filósofo florentino, Maquiavel (1469-1527), apaixonado por política, em sua famosa obra intitulada O Príncipe, afirma: “Quem se torna príncipe mediante o favor do povo deve manter-se seu amigo, o que é muito fácil, uma vez que este deseja apenas não ser oprimido. Mas quem se tornar príncipe contra a opinião popular, por favor dos grandes, deve, antes de mais nada, procurar conquistar o povo”.
O político, portanto, segundo Maquiavel, deve conquista o povo com caráter, honestidade etc. Além disso, representá-lo bem na luta por seus direitos como cidadãos. Pois pelo ato democrático mais simples, que são as urnas, o cidadão escolheu se representante e deve ser devidamente respeitado. Mas, num âmbito geral, é o contrário que se vê na política brasileira. A maioria do eleitorado é vista pelos políticos como meros eleitores e, consequentemente, é esquecida após cumprirem a cidadania do voto.
O eleitor, por sua vez, precisa estar consciente de que o político exerce a sua força na democracia, porém não está isento de responsabilidade ao repassar aos seus candidatos o direito de exercer a sua força.
Portanto, o exercício da democracia é um dever de todos. Para justificar a política vigente podemos mencionar duas prováveis hipóteses: uma, a do filósofo florentino “todos veem o que tu pareces, mas poucos o que és realmente”, a outra, a do próprio eleitor que por muitas razões “vendeu” o seu voto em troca de algumas moedas, litros de gasolina, ou alguns quilos de carne, ferindo sua dignidade.
Enfim, a responsabilidade do cuidado das coisas públicas está em nossas mãos pelo poder democrático de estado de direito brasileiro. Mas a democracia no Brasil ainda está na primeira infância e somente por uma educação de qualidade será possível uma sociedade melhor.

Padre, jornalista, diretor administrativo da Rádio Vicente Pallotti, gestor da Unilasalle/Fapas Polo Coronel Vivida e pároco da Paróquia São Roque de Coronel Vivida-PR

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