Opinião

Nudes, sexting e frexting

Até pouco tempo atrás, as pessoas não saíam por aí revelando partes de seu corpo a qualquer um, sobretudo a sua intimidade. Todavia, com o surgimento das redes sociais parece não ter mais nada a esconder, tudo ficou na vitrine. 

As redes sociais passaram a revelar o que era reservado às relações intimas entre as quatro paredes. Virou tudo de domínio público. O que era realizado apenas por celebridades ao receberem grandes somas de dinheiro, hoje as pessoas comuns estão fazendo na internet. Ficou comum a cultura da nudez, ou o popular nudes. A isso se deu o nome de sexting (sex + texting), ou seja, relacionamentos por mensagens no celular, onde os parceiros sexuais trocam fotos íntimas. Não somente parceiros sexuais, mas também por meio de tom de brincadeiras entre amigos, um frexting (friend ‘amigo’ + sexting).

Tudo isso tem causado profundas mudanças no comportamento sexual do ser humano. Antes quando havia interesse por alguém, o comum era convidar para sair, enviar flores, mandar um recadinho através de um amigo ou alguém próximo, etc. Elementos românticos que fomentavam a delicadeza e o afeto. E aí acontecia a conquista. Mas com todas essas mudanças de comportamento o foco é outro. Com a internet a relação não precisa ser real. Assim, o ato humano de expressão de vínculo de amor entre um homem e uma mulher ficou reduzido a uma diversão virtual e egoísta. A uma autossatisfação. Aspecto do novo individualismo exacerbado na sociedade hodierna.   

Quando há amor de verdade e valorização de seu corpo, guarda-se a sete chaves, inclusive num cofre e só se dá acesso para pessoas realmente especiais. Como uma joia rara e cara, que requer todo cuidado, segurança, e quando estão expostas, demanda luminosidade especial. 

Para os cristãos, o corpo, por sua vez, é sagrado e não se expõe na vitrine. Ainda, o corpo é templo do Espírito Santo, residência fixa de Deus. Por isso, a prática do nudes, sexting e frexting é algo perigoso e fere a própria dignidade, a verdadeira realização pessoal, porque não há amor e nenhum respeito por si e pelo outro. Se poderia dizer, no víeis judaico-cristão, que é um profundo desprezo da imagem e semelhança do próprio Deus (cf. Gn 1,26). Uma brincadeira que pode deixar marcas para além da juventude.  

Dessa maneira, vale a pena pensar bem antes da troca de nudes. Muitas pessoas complicaram suas vidas por não medir tais consequências. Aliás, essa nova moda deve-se a um desejo de ser desejado, um desejo de ser amado, um confronto com suas incertezas e solidão. Algo muito comum em algumas faixa-etárias. É a busca de um amor verdadeiro e profundo, porém, na direção equivocada. Isso também revela uma fragilidade que faz com que a pessoa se sinta ainda mais vulnerável em sua afetividade e sexualidade. Uma encruzilhada entre o ser e o não ser. Um vazio interior, talvez, fruto das escolhas perante a sorte da pós-modernidade.  

A cultura digital parece reforçar cada vez mais a busca de estímulos externos e numa velocidade destruidora. Todo mundo está com pressa e surge o café instantâneo, as respostas devem ser instantâneas, a vida atropelada e nisso os relacionamentos acabam sendo feridos, a intimidade desvelada, escancarada e sem pudor.

Essa necessidade de exacerbação constante está ligada ao narcisismo, ao isolamento, ao vazio e fadada à infelicidade. O Concílio Ecumênico Vaticano II (1962-1965) já pedia aos fiéis, em particular aos pais, para ajudar os jovens a aprenderem a praticar a moderação e o autocontrole no uso dos meios de comunicação social. Os meios tecnológicos são frutos da inteligência humana, dada por Deus, mas quando usada indevidamente pode causar sequelas para toda a vida. 

* Judinei Vanzeto é jornalista e pároco da Paróquia São Roque de Coronel Vivida (PR)

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