Opinião

O mistério do Deus revelado

* Padre Judinei Vanzeto

Em 2020, publiquei diversos artigos neste renomado com cunho filosófico. Neste novo ano e artigo apresento fagulhas do mundo da Teologia. 

A palavra teologia, por sua vez, vem do grego “Theologia”, a partir da junção de “Theos” (Deus) e “Logos” (estudo de). Daí, portanto, a teologia que se ocupa da ciência organizado do estudo sobre Deus, sua natureza, atributos e sua relação com o ser humano e com o universo.

A teologia cristã tem sua vertente na revelação de Deus a Abraão (cf. Gn 12, 1-9). A fé de Abraão deu origem ao Judaísmo. O Antigo Testamento da Bíblia é a raiz do Novo Testamento.

Jesus Cristo é o ápice da revelação de Deus a humanidade. A tradição judaico-cristã apresenta o Deus vivo que se comunica com o ser humano. E a resposta humana é dada pela fé e pela obediência. Assim sendo, o estudo da teologia consiste em entrar no mistério do Deus revelado plenamente em Jesus Cristo.

Por muitos séculos prevaleceu a ideia que o estudo da teologia enquanto ciência era é privilégio eclesiástico, ou seja, apenas para quem ensejava ser padre ou religioso. Hoje esse pensamento mudou e todos podem e devem ter acesso aos estudos teológicos.

Assim, a Igreja Católica convida seus fiéis a aprofundar e conhecer com mais profundidade sua fé. Pois o casaquinho e gravatinha borboleta da Primeira Comunhão e do Sacramento da Crisma não são mais suficientes para a vida cristã.

Santo Agostinho (350-430), bispo e doutor da Igreja, dizia que ninguém ama aquilo que não conhece. Quanto mais se conhece, mais se ama. Essa é a lógica no mundo da fé.

Para Santo Anselmo (1033-1109), o crente procura compreender aquilo que acredita e o que isso significa para sua vida. Interessante que não é apenas um conhecimento intelectual, mas existencial conectando fé e vida. Ou seja, o estudo teológico transforma a vida do estudante.

A importante reunião conciliar de 1962 a 1965, cognominada Concílio Ecumênico Vaticano II, surpreendeu os batizados ao afirmar sobre a abertura da formação teológica dos leigos e considerá-la como elemento importantíssimo para a Igreja. Entre os documentos conciliares saiu um sobre o apostolado dos leigos.

Por leigo, a Igreja entende aquela pessoa batizada que não recebeu nenhum grau do Sacramento da Ordem e também não fez votos religiosos públicos.

À luz do Vaticano II, há mais de meio século, a Igreja vem incentivando os fiéis leigos a estudarem teologia para aprimorarem o seu apostolado e sua intervenção no mundo.

Além disso, na Christifidelis laici, documento publicado cerca de 30 anos, afirma: “A formação doutrinal dos fieis leigos mostra-se hoje cada vez mais urgente, não só pelo natural dinamismo de aprofundar a sua fé, mas também pela exigência de “racionalizar a esperança” que está dentro deles, perante o mundo e os seus problemas graves e complexos” (n. 60).

No ano de 2016, os Bispos do Brasil publicaram o Documento 105 intitulado: Cristãos leigos e leigas na Igreja e na Sociedade. Tendo como referência bíblica a citação: “Sal da terra e luz do mundo” (Mt 5, 13-14). Assim sendo, o estudo teológico está aberto para o acesso de todos, como disse São Vicente Pallotti (1795-1850): “Grandes e pequenos”.

Você, caro leitor, pode ter acesso aos tesouros insondáveis do mundo revelado e degustar das maravilhas de Deus em seu viver.

Feliz Ano Novo!

Jornalista, diretor administrativo da Rádio Vicente Pallotti, gestor da Unilasalle/Fapas Polo Coronel Vivida e pároco da Paróquia São Roque de Coronel Vivida-PR

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