Opinião

Os dois olhares necessários

Padre Judinei Vanzeto

O ano de 2021 chegou como o olhar de Jano (Janus). As pessoas olhando para trás e para a vacina que se aproxima. Na mitologia romana existe um deus representado por um ser com duas faces. Esse deus tem a propriedade de, ao mesmo tempo, olhar para o passado e para o futuro.

Na definição dos meses do ano, o mês de janeiro, por exemplo, foi definido com base ao deus Jano, porque as pessoas olham para trás e, ao mesmo tempo, para o novo ano que se inicia.

Em relação ao ano de 2020 tenho ouvido muitas controvérsias. A humanidade foi surpreendida com a pandemia do novo coronavírus. Muitos grupos entraram em crise econômica, psicológica, sanitária, etc. Outros grupos acabaram lucrando com toda a situação. Já ouvi pessoas afirmando que o ano passado foi muito bom. Outras já disseram que não querem nem lembrar.

Todo início tem certa nostalgia, que obriga o iniciante a olhar para trás, avaliar o caminho percorrido, celebrar, recomeçar, repensar. E ao mesmo olhar para frente para renovar os propósitos, as metas. O olhar para frente sempre é carregado de esperança e profetismo pelo horizonte a ser vislumbrado. Os dois olhares não são excludentes, mas complementares. São olhares necessários.

O mês de janeiro tem o poder de colocar a humanidade dentro de seus próprios desafios. A vida, por sua vez, é feita de escolhas. E as escolhas feitas no passado interferem o presente, bem como o futuro. Toda a escolha é carregada de perdas, ganhos e possibilidades.

Ter consciência e compreender o passado dá assertividade para as novas escolhas. Não obstante, é no presente que os passos ganham sulcos do caminho a ser percorrido. É para frente que o olhar deve ser conduzido.

Por outro lado, existe um grande número de pessoas presas ao passado que dói. Um grupo relativo vive pensando no futuro. As pessoas desse grupo esperam algo acontecer para firmar sua felicidade. Colocam condições para tal: “quando tiver novo carro, a nova casa, a nova profissão, a conclusão da faculdade, a vida afetiva, etc”. Apenas um grupo bem reduzido vive o presente. Viver bem o presente é ser feliz de verdade. A felicidade está aqui e agora.

A história que cada pessoa escreve é carregada de medos, inseguranças e também de esperanças, de sonhos, desejos, buscas. Assim, o mesmo olhar em retrospectiva deve ter um segundo olhar para frente.

Se no ano passado as coisas foram difíceis e muitos fatos e acontecimentos ainda não se têm a solução almejada, o importante agora é manter o foco e renovar a cada dia a esperança na afirmação do verdadeiro sentido de viver.

Que Janus, ou melhor, o mês de janeiro nos conduza para um tempo cheio de afetos e disposições capazes de dar novo ânimo ao viver, bem como ter uma visão de beleza quando olharmos para trás. Mas além do espaço, do tempo e da mitologia, que a fé em Deus e os olhares necessários nos ajudem a viver bem o presente.

Jornalista, diretor administrativo da Rádio Vicente Pallotti, gestor da Unilasalle/Fapas Polo Coronel Vivida e pároco da Paróquia São Roque de Coronel Vivida-PR

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