Opinião

Os sofistas de ontem e de hoje

Por Judinei Vanzeto

Os sofistas eram os mestres da retórica e da oratória, professores itinerantes que cobravam para ensinar a arte de discursar. O discurso era um dos instrumentos políticos usado nos debates públicos na pólis (cidade grega) para tomar decisões políticas nas assembleias. Os sofistas mais conhecidos são Protágoras (481 – 420 a.C.), Górgias (483 – 376 a.C.) e Isócrates (436 – 338 a.C.).

Uma máxima célebre de Protágoras: “O homem é a medida de todas as coisas, das coisas que são, enquanto são, das coisas que não são, enquanto não são”. Essa frase, baseada em Heráclito, expressa o relativismo sofista. Se, pois, o homem é a medida de todas as coisas, nada pode ser medida para eles, ou melhor, as leis, as regras, a cultura, a ética, tudo precisa ser definido pelo conjunto de pessoas, e aquilo que vale em uma determinada região ou país não necessariamente precisa valer em outros lugares.

Górgias, por sua vez, passava de cidade em cidade fazendo apresentações de suas habilidades com as palavras e cobrava por suas aulas. Uma de suas características era a de ouvir perguntas da plateia e responder sem qualquer preparo.

Já Isócrates era aluno de Protágoras e, ao perder suas posses, começou a ganhar a vida como logógrafo (aquele que fazia ou escrevia discursos para os tribunais atenienses). Com essa atividade, abriu em Atenas, na mesma época em que Platão inaugurava a Academia, uma escola de eloquência. Como orador e retórico, preocupou-se com a forma, dando à prosa docilidade e harmonia. Por outro lado, combateu a filosofia platônica por julgá-la inútil à ética e à política grega.

Os sofistas são contemporâneos dos filósofos Sócrates, Platão e Aristóteles. Estes, porém, condenavam os sofistas por serem relativistas. Os sofistas defendiam que a verdade é o resultado do consenso entre os homens. Daí surge uma imagem negativa da Escola Sofística, de manipuladores de opiniões e criadores de ilusões.

Estudos recentes, entretanto, buscam valorizar o pensamento sofista no âmbito da contribuição para os estudos de gramática, retórica, oratória e desenvolvimento de teorias do discurso. Muito usado em tempos de eleições afim de prepará-los para angariar votos pelo discurso. Umas das dicas é falar bem forte para convencer seus eleitores a acreditar no seu discurso.

Os sofistas são considerados os primeiros advogados do mundo a cobrarem de seus clientes para efetuar suas defesas, devido à capacidade de argumentação. Eles também foram considerados por muitos como os guardiões da democracia, na medida em que aceitavam a relatividade da verdade.

Ao conhecer um pouco sobre os sofistas, pergunto: a verdade é relativa ou absoluta? Aquele que faz o melhor discurso possui a verdade? Na democracia, por vezes, uma decisão é levada em consideração apenas pela força da arte do bem falar, sobretudo no mundo da política e dos tribunais.

Enfim, quem são os sofistas de hoje?

Judinei Vanzeto é jornalista, técnico em Contabilidade, licenciado em Filosofia, bacharel em Teologia, e com especialização em Gestão de Instituição de Ensino e especialização em Jornalismo Digital. Além disso, é diretor administrativo da Rádio Vicente Pallotti e pároco da Paróquia São Roque de Coronel Vivida (PR)

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