Opinião

Política da não violência

Por padre Judinei Vanzeto

O conceito de não violência advém do método empreendido pelo advogado indiano Mahatma Gandhi (1869-1948), de resistência pacífica pela independência indiana do domínio da Inglaterra.

Desde o início do século XVIII a Índia era uma das colônias do império britânico. E no final do século XIX teve início a um movimento de libertação da Índia do império inglês.

Mahatma Gandhi estudou direito na Inglaterra, onde teve influência de vários pensadores, entre eles Henry David Thoreau (1817-1862), que recusava aos meios violentos como forma de luta.

Gandhi, por sua vez, estimulava a não cooperação com os colonizadores ingleses a partir da organização de greves, recusa ao pagamento de impostos, jejum, orações e boicote aos produtos ingleses. Incentivava a preferência pelos produtos locais. Pregava aos compatriotas a não acatar as leis injustas do governo inglês e as responder com não-violência.

As autoridades inglesas utilizavam da violência como forma de repressão da luta do movimento indiano pela independência. Muitos líderes foram perseguidos, presos e reprimidos. O próprio Gandhi foi preso diversas vezes na intenção de fazer o povo esquecer de seu principal líder.

Para promover uma grande mobilização pacífica, Gandhi empreendeu a conhecida “Marcha do Sal”. Uma caminhada de cerca de 500 Km em direção ao mar, no intento de produzir o próprio sal e contestar o monopólio inglês sobre o produto.

A reação britânica resultou na prisão de Gandhi e apoiadores. Mesmo com Gandhi preso, o povo continuava as estratégias de desobediência como forma de desmoralização do governo britânico e de seu sistema repressivo.

Gandhi apresentava em cinco pontos seu programa: igualdade, nenhum uso de álcool ou droga, unidade hindu-muçulmana, amizade e igualdade para as mulheres.

Ele teve a felicidade de acompanhar em 15 de agosto de 1947 a independência da Índia. Gandhi foi assassinado a tiros por um hindu radical que o responsabilizava pelo enfraquecimento do novo governo.

No século XXI os métodos pacifistas continuam orientando a prática de diferentes organizações, especialmente em defesa da ecologia. Não obstante, para que as exigências de seus direitos sejam almejadas, se faz necessária que a opinião pública seja convencida de que a luta é justa.

Infelizmente, em nosso país, a polarização entre “esquerda” e “direita” está corroendo a população. “Tal cenário é prejudicial à democracia, pois conduz à intolerância, à violência e à falta de liberdade de expressão” (Cartilha de Orientação Política 2020, p. 20).

Ainda, conforme as orientações da Cartilha de Orientação Política para as eleições municipais de 2020, publicada pela CNBB Sul 2, a discussão de ideias, de opiniões e pontos de vista diferentes, é algo positivo.

Diferente do confronto ou acusação, que é o que acontece num cenário polarizado. Um não ouve o outro, ao contrário, passa a odiá-lo, a agredi-lo, mesmo que seja com taxações como: “coxinha” ou “petralha”. Isso fere o direito à liberdade que, segundo a Doutrina Social da Igreja, é sinal sublime da dignidade da pessoa humana (cf. p. 20).

No Compêndio da Doutrina Social da Igreja, nº 200, afirma que: “O valor da liberdade, enquanto expressão da singularidade de cada pessoa humana, é respeitado e honrado na medida em que se consente a cada membro da sociedade realizar a própria vocação pessoal; buscar a verdade e professar as próprias ideias religiosas, culturais e políticas”.

* Judinei Vanzeto é jornalista, técnico em Contabilidade, licenciado em Filosofia, bacharel em Teologia, e com especialização em Gestão de Instituição de Ensino e especialização em Jornalismo Digital. Além disso, é diretor administrativo da Rádio Vicente Pallotti e pároco da Paróquia São Roque de Coronel Vivida (PR)

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