Opinião

Positivismo de Augusto Comte

Por padre Judinei Vanzeto

Augusto Comte (1798-1857) nasceu em Montepellier e morreu em Paris. Filósofo francês, fundador da Sociologia e do Positivismo. Aos dezesseis anos, Comte se interessou pelas ciências naturais com ênfase às questões históricas e sociais. Para tanto, ingressou na Escola Politécnica de Paris para dar continuidade aos estudos.

Em 1826, teve um colapso nervoso enquanto detalhava a criação de uma filosofia positiva. Ao recuperar a saúde, dedicou-se na redação de curso de filosofia positiva por doze anos. Em 1842, perdeu o emprego na Escola Politécnica, onde trabalhava. Também teve problemas conjugais e foi ajudado por admiradores, entre eles o pensador Stuart Mill.

Entre 1851 e 1854, redigiu o Sistema de política positiva, no qual expôs as principais consequências de sua concepção de mundo não-teológica e não-metafisica, sugerindo uma interpretação pura e plenamente humana para a sociedade, no tocante as soluções para os problemas sociais.

Em 1856, publicou o primeiro volume da Síntese Subjetiva com a intenção de escrever mais quatro volumes (lógica, indústria, pedagogia e psicologia), mas antes de concluir a obra veio a falecer, em Paris. 

Para compreender o legado filosófico de Augusto Comte, faz-se necessário esclarecer dois conceitos utilizados por ele: sociologia e positivismo.  

A sociologia é a ciência que estuda o comportamento social do ser humano e seus processos de associação, de grupo e de instituição. O objeto de estudo da sociologia é diferente da psicologia. A psicologia trata do indivíduo na singularidade e a sociologia se dedica aos estudos dos fenômenos sociais no intento de explicá-los e analisá-los. 

O positivismo de Comte é uma doutrina filosófica que surgiu com o desenvolvimento sociológico do Iluminismo e com as crises sociais e morais do fim do período da Idade Média, com a sociedade industrial, frutos da Revolução Francesa. O positivismo propõe ao ser humano valores puramente humanos, afastando-o da teologia e da metafísica. Dessa maneira, associa uma interpretação das ciências e uma classificação do conhecimento a uma ética humana radical.

O método do positivismo de Comte consiste na observação dos fenômenos, contrapondo ao racionalismo e ao idealismo. Comte prima pela experiência sensível, única capaz de produzir a partir dos dados concretos a verdadeira ciência, sem o auxílio teológico e metafísico, tomando como base apenas o mundo físico e material. Na obra ‘Apelo aos conservadores’, define o “positivo” com sete palavras: real, útil, certo, preciso, relativo, orgânico e simpático.

O positivista acredita que o conhecimento científico é a única forma de obter o conhecimento verdadeiro. Desconsidera toda forma de conhecimento humano que não seja comprovado cientificamente. Também afirma que o progresso da humanidade depende exclusivamente dos avanços científicos, para transformar a sociedade e o planeta num paraíso que muitos esperam no mundo do além.

A ideia central do positivismo de Comte é o entendimento humano pelos três estágios necessários para alcançar o positivo: teológico, metafísico e positivo. No teológico, o ser humano explica a realidade pelo religioso. No metafísico, ao invés do religioso, explica a realidade pelo abstrato. Por fim, a etapa final e definitiva, o positivo pelo observável e concreto.

No Brasil, o positivismo de Augusto Comte encontrou aceitação nas escolas de medicina e militar e passou a influenciar as discussões políticas. Os positivistas brasileiros participaram do movimento pela Proclamação da República, que ocorreu em 1889, quando a bandeira nacional recebeu o lema: “Ordem e Progresso”.

Atualmente, os positivistas somam força e estão presentes em diferentes segmentos da sociedade. Ensejam ocupar espaços de liderança para influenciar nas decisões políticas, econômicas, culturais e religiosas. Em Porto Alegre, por exemplo, o Templo Positivista, construído no início do século XX, é aberto aos domingos para o culto sociocrático.

* Judinei Vanzeto é jornalista, técnico em Contabilidade, licenciado em Filosofia, bacharel em Teologia, e com especialização em Gestão de Instituição de Ensino e especialização em Jornalismo Digital. Além disso, é diretor administrativo da Rádio Vicente Pallotti e pároco da Paróquia São Roque de Coronel Vivida (PR)

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