Opinião

Quatro angústias de nosso tempo

* Padre Judinei Vanzeto

Além das angústias próprias geradas infelizmente pela pandemia do Covid-19, há outras grandes angústias de nosso tempo que precisam ser enfrentadas em 2021. As quatro angústias: a pobreza, a violência, a indiferença e a drogadição.

Com a pandemia e as indicativas governamentais de corte do auxílio emergencial, certamente, aumentará a pobreza em nosso país. Há décadas a lista da pobreza vem aumentando e novos rostos da extrema pobreza aparecerão em breve.

No mundo, a concentração da riqueza encontra-se nas mãos de um pequeno grupo, enquanto que a grande maioria da população vive com as migalhas.

A segunda angústia é a violência com suas diferentes facetas, sobretudo, a doméstica e o feminicídio. O fenômeno da violência é complexo. Cada família tem um caso de violência para contar. A violência não é algo isolado, pois tomou grande proporção desde o campo ao mundo urbano. Conflitos pequenos têm se tornado grandes e complicados.

Existe a violência no trânsito, nos bares, nos bairros, nos lares. Uma briga gera a morte, prisão, dor, sofrimento. Existe um discurso de ódio veiculado pelas redes sociais e aplicativos de jogos.

Nisso se percebe a adrenalina de matar, eliminar, destruir o inimigo. O que pensa diferente precisa ser exterminado. Mas a pior de todas as violências é a corrupção institucionalizada na política brasileira.

A terceira angústia é a indiferença. O nosso tempo se acostumou com o sofrimento e a dor alheio. O importante é não ser atingido pela dor alheia. É preciso passar longe para não se envolver. Esse comportamento está carregado de individualismo. Cada um no seu quadrado.

A indiferença se tornou uma doença quando envolvida em proporção maior. A indiferença e o extermínio podem ser entendidos como síndrome de Caim (Gn 4,9).

A pergunta: “Onde está teu irmão?” tem como resposta outra pergunta: “Por acaso sou responsável por meu irmão?”. Nesse sentido, o Papa Francisco tem alertado através da expressão: “Globalização da indiferença”.

A quarta angústia é a droga presente em nossas cidades e atinge centenas de lares. Começando com os adolescentes e jovens, atingindo também os adultos da família.

Infelizmente, a droga pode ser encontrada facilmente nos bairros, no centro e no meio rural. A drogadição tomou uma proporção imaginável. Parece que o narcotráfico tomou conta de todas as classes sociais.

Muitas vidas são ceifadas com o envolvimento com o tráfico. Também grupos enriquecem com a comercialização da droga. Muitos jovens morrem ou vão parar atrás das grades devido ao mundo da droga.

O diagnóstico da realidade apresentada, a partir dessas quatro angústias, é sempre parcial e complexo. Pois a pobreza, a violência, a indiferença e a droga estão batendo na cara da sociedade e precisam ser enfrentadas com esperança, força e coragem. Faz-se necessário o envolvimento de todos os segmentos da sociedade.

Jornalista, diretor administrativo da Rádio Vicente Pallotti, gestor da Unilasalle/Fapas Polo Coronel Vivida e pároco da Paróquia São Roque de Coronel Vivida-PR

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