Opinião

Religião é o ópio do povo?

Por padre Judinei Vanzeto

Karl Henrich Marx (1818-1883) nasceu em Tréveris, cidade histórica da Alemanha, em família de classe média de origem judaica, foi um intelectual revolucionário, fundador da doutrina comunista. Atuou como economista, filósofo, historiador, político e jornalista. Seu legado intelectual é ainda hoje estudado em filosofia, geografia, história, direito, sociologia, literatura, pedagogia, ciência política, antropologia, economia, biologia, psicologia, comunicação, administração e teologia.

Para Marx, a sociedade humana avança por meio da luta de classes, ou seja, pelo conflito entre a classe burguesa e o proletariado. A classe burguesa controla a produção e o proletariado fornece a mão de obra. Nessa organização, o lucro pertence ao dono do capital, que se utiliza da mão de obra em seu próprio benefício. Nessa lógica, ele chamou o capitalismo de a ditadura da burguesia.

Marx observou que o capitalismo conduziria o sistema socioeconômico para sua autodestruição e apresentou um novo sistema para substituí-lo: o socialismo. Na sua compreensão, a sociedade socialista seria governada pela classe trabalhadora e se chamaria de estado dos trabalhadores ou democracia dos trabalhadores. Com essa inspiração, o socialismo resultaria numa sociedade sem classe e chegaria ao comunismo. Contudo, para chegar a essa realidade faz-se necessária a luta de classes numa ação revolucionária para derrubar o capitalismo e implantar o comunismo.

Karl Marx fez o doutorado na Universidade de Jena e nessa instituição conheceu Hegel. Também mais tarde, em Berlim, teve contato direto com grupo de jovens hegelianos. Da filosofia de Hegel, Marx fez uso da filosofia da história e da concepção dialética. Após algum tempo, ao manter contato com Ludwig Feuerbach (1804-1872) e fazer uma revisão crítica dos conceitos, rompeu com o grupo hegeliano. Apesar disso, manteve o entendimento da história e a concepção dialética. Passou a compreender que a origem da realidade social não reside nas ideias, na consciência, mas na ação concreta pelo trabalho humano. Dessa forma, Marx inverte a dialética hegeliana ao colocar a materialidade no lugar das ideias.
Feuerbach é um filosofo materialista que influenciou Marx, Engels e os jovens hegelianos. Também inferiu duras críticas a Hegel e afirmou que a religião é uma alienação. Também Marx escreveu, influenciado por pensadores de seu tempo, que a “religião é o ópio do povo”.

Nisso, é importante lembrar que a expressão ópio do povo é uma afirmação meramente materialista que não condiz com a realidade humana na sua totalidade, pois o ser humano não se satisfaz apenas com a dimensão material. Não obstante, Marx entendeu que basta dar comida para o povo que esse não procurará a religião.

Marx, porém, esqueceu que os anseios de liberdade e religiosidade transcendem a um prato de comida ou a uma cesta básica, pois no mais íntimo do coração humano há o desejo e a busca da comunhão com o Criador. Dessa maneira, o grande equívoco do comunismo consiste na fomentação da exclusão da religião do coração humano.

* Judinei Vanzeto é jornalista, técnico em Contabilidade, licenciado em Filosofia, bacharel em Teologia, e com especialização em Gestão de Instituição de Ensino e especialização em Jornalismo Digital. Além disso, é diretor administrativo da Rádio Vicente Pallotti e pároco da Paróquia São Roque de Coronel Vivida (PR)

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