Opinião

Seriado: Maria Madalena

* Por padre Judinei Vanzeto

O seriado com 60 episódios da série mexicana, produzida pela Sony Pictures Television e Dopamine para TV Azteca; e exibida, no Brasil, pela Netflix, apresenta Maria Madalena. A série foi escrita por Lina Uribe, Darío Vanegas e Jaqueline Vargas. Teve a produção executiva de Daniel Ucros e Juan Pablo Posada. Também contou com diversos atores colombianos.

O seriado conta a história de Maria Madalena, desenvolvida num ambiente histórico, não convencional. Algo que se passou na região da Judeia, com o personagem histórico Jesus de Nazaré. Dentro do contexto político de domínio do Império Romano e da cultura judaica. Os romanos dominavam os territórios, mas não tocavam na cultura local, porque o interesse era focado na coletoria de impostos para manter o exército e a luxuria do império.

O seriado apresenta um viés feminista pela protagonista Maria Madalena. Para os judeus, as mulheres não tinham vez, voz e nem espaço na sociedade. Eram consideradas submissas aos homens. Não poderiam aprender a ler, escrever e participar nas sinagogas. Apenas obedecer, inclusive dizer sim aos casamentos arranjados pelos pais e a todas as vontades do cônjuge.

Nessa ótica, o filme apresenta a mulher Maria Madalena sempre num discurso empoderado. Questionando os valores da época. Desafiando uma sociedade machista, opressora e muito forte ainda em nossos dias. E nisso, ela encontrou Jesus Cristo, o homem que mais a valorizou, acolheu e a respeitou enquanto mulher, colocando-a na mesma dignidade do homem.

A série ainda mostra a vida de uma mulher apaixonada, independente e diferente das mulheres da época. Madalena cresceu num contexto complicado, contudo se tornou uma mulher judia distinta numa sociedade dominada por homens judeus e romanos.

Quando não tinha mais nenhuma esperança na vida e no ser humano, Maria Madalena colocou-se na encruzilhada do precipício entre a vida e a morte. Não vislumbrava sentido algum para continuar a viver e conviver. Ingressou numa profunda crise existencial. A traição, a violência doméstica, a exploração sexual e o desprezo da sociedade a colocaram no fundo do poço. Ela não acreditava mais em si mesma, nas pessoas e na religião.

Cada pessoa tem sua história e carrega as circunstâncias do passado e do presente. Tudo o que ocorre ao seu redor, desde o ventre materno, tem grande peso para sua vida humana. Influências estas positivas ou negativas, tudo fica registrado de algum modo em seu ser mais profundo.

O encontro pessoal de Maria Madalena com Jesus Cristo deu início a um processo contínuo de sentido ao seu viver. Ela descobriu o verdadeiro amor de sua vida. Interessante que em diversas cenas do filme, Madalena, movida pelo encanto e admiração por Jesus, acaba confundindo e desejando algo mais. Manifesta sua paixão e Jesus acolhe seus sentimentos, porém explica a razão de sua missão terrena. Ele deixa um amor por outro amor mais profundo, isto é, fazer a vontade do Pai no caminho de conduzir a humanidade à comunhão primeira.

Inicialmente, Madalena não entendeu e fez opção pelo distanciamento de Jesus para evitar o sofrimento pela paixão não correspondida. Mas, após um período de distância, ela se aproxima novamente e acompanha a entrada triunfal de Jesus em Jerusalém, sua condenação, subida ao calvário e morte na cruz. Foi ao sepulcro em busco de seu corpo para perfumá-lo. E no primeiro dia da semana é surpreendida com a ressurreição de seu amado mestre. Somente após a experiência pessoal com o ressuscitado compreendeu a missão do mestre e tornou-se testemunha do ressuscitado.

No dia 22 de julho de 2016, por desejo do Papa Francisco, foi estabelecida a festa de Santa Maria Madalena no calendário litúrgico. Santo Tomás de Aquino a nomeou como “apóstola dos apóstolos”. São Gregório Magno se referia a ela como: “Testemunha da misericórdia”.

* Judinei Vanzeto é jornalista, técnico em Contabilidade, licenciado em Filosofia, bacharel em Teologia, e com especialização em Gestão de Instituição de Ensino e especialização em Jornalismo Digital. Além disso, é diretor administrativo da Rádio Vicente Pallotti e pároco da Paróquia São Roque de Coronel Vivida (PR)

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