Opinião

Usurpador do Natal

Padre Judinei Vanzeto

Os cristãos celebram no dia 25 de dezembro o nascimento de Jesus Cristo. Mas foi realmente nesta data que ele nasceu em Belém? Historicamente falando Jesus não nasceu no dia 25 do último mês do ano. Também não existe nenhum registro de seu nascimento no ano zero. Os historiadores e exegetas bíblicos apresentam mais ou menos o seu nascimento no ano 5 a.C.

O imperador romano Aureliano decretou no dia 25 de dezembro de 274 d.C. o culto oficial ao deus Sol Invictus ao lado dos cultos romanos tradicionais. Com o Edito de Milão em 313 que dava abertura a liberdade religiosa, as festas pagãs do Império Romano foram sendo substituídas por sentido cristão. O culto ao Sol Invictus, celebrado no dia 25 de dezembro, foi alocado ao seu lugar Jesus Cristo, a luz do mundo. Por isso, o Natal é celebrado no dia 25 de dezembro.

Para os cristãos, o nascimento de Jesus Cristo é o verdadeiro sentido do natal. “O povo que andava nas trevas viu uma grande luz, para os habitantes da região sombria da morte uma luz surgiu” (Mt 4, 16). Assim, a promessa de Deus pelo profeta Isaias foi cumprida com a primeira vinda de Jesus na face da terra. Em João 8, 12, disse Jesus sobre sua identidade: “Eu sou a luz do mundo. Quem me segue não caminha nas trevas, mas terá a luz da vida”.

Como é bonito ver as casas, ruas, praças, cidades inteiras iluminadas em tempo de natal. O presépio iluminado nas praças, lares, instituições, igrejas, hospitais etc. É a luz de Jesus Cristo iluminando a vida.

Por outro lado, no período do natal, existe outro personagem que entrou na história: o Papai Noel. A origem da história do Papai Noel está intimamente ligada a São Nicolau de Mira. Nicolau também conhecido por Nicolau Taumaturgo, era bispo cristão. Ganhou fama por sua generosidade ao trazer presentes para as crianças na véspera de natal. Ajudava, pois, anonimamente, famílias que passavam por dificuldades financeiras.

Nicolau nasceu na segunda metade do século III, em Pátara, no ano de 275, na Ásia Menor (região da Turquia) e faleceu no ano de 324. Seu dia é lembrado em 6 de dezembro. O imperador Diocleciano, encarcerou Nicolau por recusar-se a negar sua fé em Jesus Cristo. Nesta fase de sua vida foi torturado. Mas com a subida do imperador Constantino ao poder, e pelo Edito de Milão, foi libertado. Nicolau enfrentou, posteriormente, dificuldades internas. Pois frente a um debate com líderes eclesiásticos, no Concílio de Niceia, bofeteou um de seus antagonistas, o heresiarca Ário. Isso o impede de permanecer como um líder da Igreja. Mas, mesmo assim, continuou prestando auxílio para as crianças e necessitados.

Devido à sua imensa generosidade e aos milagres que lhe foram atribuídos, foi canonizado pela Igreja e tornou-se um sinal ligado ao nascimento do Menino Jesus.

Existem, no entanto, muitas fábulas em torno de São Nicolau que deram origem ao Papai Noel. É difícil distinguir o que é realmente autêntico e o que são lendas. O que se sabe é que sua imagem, posteriormente, foi relacionada e transformada num ícone do natal. O bom velhinho corado, de barba branca, com roupas de cor vermelha e bordado branco, trazendo nas costas um saco com presentes é uma lenda até hoje contada de pai para filho. As crianças amam a ideia de deixar cartas ao Papai Noel.

O perigo decorrente em nossos dias, porém, constitui-se em dar mais atenção ao Papai Noel, provocado pelo espírito consumista, deixando de lado o verdadeiro sentido do natal: o Menino Jesus, a luz do mundo. 

O Menino Jesus é o maior e melhor presente de natal.

Afinal, Natal é Jesus!

Jornalista, diretor administrativo da Rádio Vicente Pallotti, gestor da Unilasalle Polo Coronel Vivida e pároco da Paróquia São Roque de Coronel Vivida-PR

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