Paraná

Com abertura de novos leitos chegando ao limite, saída é quebrar barreira de transmissão

Na semana Werner, participou de reunião com fornecedores de oxigênio para reafirmar o compromisso com o abastecimento no Estado - Foto: Américo Antonio/Sesa

Na tarde da sexta-feira (5), durante apresentação das atualizações das medidas para o combate à pandemia de covid-19, o secretário estadual de Saúde, Beto Preto, voltou a falar sobre a circulação da nova cepa do coronavírus, a variante P1, chamada de “brasileira amazônica”.

Conforme o secretário, foram feitos 1.300 testes pela Fiocruz no último sábado (27), e em Curitiba foram analisados 216 testes positivos com maior carga viral, com 70% acusando a variante P1. “Isso não quer dizer que ela seja prevalecente’, informou. “Mas naqueles testes do sábado ela era maioria nas maiores cargas virais. Isso demonstra que está circulando em nosso estado”, afirmou.

A explosão de casos, que ocorreu a partir de 10 de fevereiro, aponta que a P1 já estava no Paraná desde 1º de fevereiro, e essa data, explicou Beto Preto, é um marco importante para o cálculo de como se preparar para enfrentar o problema. “Esse vírus é muito mais rápido e agressivo, e tenho certeza que tem relação direta com a situação de Cascavel, Foz do Iguaçu e até de Curitiba. Mesmo diante do decreto da semana passada, com a pouca adesão ao lockdown e hospitais com grande lotação, teremos, pela frente, três ou quatro semanas muito duras”, disse.

A única maneira de monitorar a variante do vírus é com sequenciamento genômico, um exame bem específico. O Estado trabalha para aumentar a quantidade de testes realizada e assim saber de que forma o vírus circula.

O secretário disse ainda que há um horizonte muito finito de abertura de novos leitos. Sobre isso, Nestor Werner Junior, diretor geral da Secretaria de Saúde do Paraná disse ao Diário do Sudoeste que não há previsão de como estará a disponibilidade de leitos para os próximos dias. “Vamos tentar abrir o máximo de leitos possíveis, como fizemos até agora. Estamos com mais de 1.420 de leitos UTI adulto exclusivo para o tratamento de covid e mais de 2.100 leitos enfermaria exclusivo para covid em todo o estado. Isso é um esforço enorme. A gente praticamente dobrou a rede normal de leitos construída ao longo de 30 anos. Tínhamos 1.200 leitos de UTI normais, e hoje, além deles, temos mais 1.426 só para covid. E isso requer espaço físico, equipamentos, então essa conta não é exata, vamos trabalhando dentro o que a gente pode e estamos chegando ao limite final”, alertou.

Werner explicou ainda que o protocolo para a variante P1 é o mesmo, e que as pessoas precisam entender que esse é um momento muito delicado para a Saúde. “Estamos no limite do nosso sistema. A disseminação da doença nos últimos dias tem sido muito grande e nós precisamos conter seu avanço”, diz. Werner diz que a estratégia da ampliação de leitos faz parte do todo, mas ela não evita mortes. “Cerca de 40% das pessoas que vão entrar em algum leito de UTI com covid, infelizmente vão vir a óbito. Também, 23% das pessoas que procuram um leito hospitalar com a doença no Paraná, infelizmente vão morrer. Precisamos quebrar a barreira de transmissão. Não é só o leito, a medicação, o respirador que vai salvar a vida da pessoa. Muito pelo contrário, é a não contaminação”, diz.

Vacinas

O diretor-geral contou também que o governo do Paraná separou recurso para que, na eventualidade da falha do Programa Nacional de Imunização (PNI), a vacina possa ser comprada, mas acredita que o Ministério da Saúde vai dar conta de entregar a vacina para todos os estados e municípios em equidade. “Entendemos que há uma demora, que poderia ser mais rápido, mas também sabemos que a disponibilidade de vacina no mundo vai deixar um pouco mais difícil que governos estaduais e municipais comprem vacinas”, acredita. Ele lembra ainda que a característica da legislação, mesmo com a possibilidade de compra ofertada, acaba dificultando o processo porque o PNI tem que falhar, a vacina tem que ter registro na Anvisa e mais uma série de dificuldades para que a compra se concretize. “Além da disponibilidade, porque não há um processo em larga escala que o governo federal não entrado em negociação. Mas, se houver a necessidade, a gente vai entrar em um programa de compra, sim, naquilo que depender da Secretaria de Saúde vencidas essas situações de impedimento”.

Werner diz que o Estado aposta na vacina, mas pelas situações já citadas é preciso levar em conta que o PNI está lento. “As pessoas precisam se conscientizar que o melhor que elas podem fazer nesse momento é tomar os cuidados necessários para não se contaminarem, mantendo o distanciamento social, usando máscara e mantendo as mãos higienizadas até que se consiga avançar na vacinação”, indica.

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