Paraná

Paraná vive momento crítico e pode ter até 12.516 casos nesta sexta-feira

No último fim de semana, o médico infectologista de Curitiba, Clóvis Arns, presidente da Sociedade Brasileira de Infectologia, frisou nas redes sociais que essa seria uma semana importante no Paraná, uma vez que a pandemia de coronavírus ameaçava se agravar, chamando a atenção das autoridades de saúde e da população. 
Nessa quarta-feira (17), inclusive, o médico concedeu entrevista à Gazeta do Povo, onde afirmou que “ainda está em nossas mãos evitar o caos”, se mostrando otimista apesar da situação preocupante. “Acredito que 95% da população deve estar apoiando as medidas necessárias. Às vezes é um passo para trás, para poder dar uns dois para frente”, disse Arns, ao veículo de comunicação.
Segundo o médico, bastam duas semanas para que a pandemia se espalhe rapidamente, enquanto a recuperação, mesmo com a tomada de todas as precauções, costuma ser mais demorada, de quatro a seis semanas. Ele não se opõe ao funcionamento de bares, lojas, restaurantes e academias, mas condena a aglomeração que tem ocorrido nos últimos dias. “Meu apelo vai principalmente aos mais jovens, que querem sair, ver os amigos, ir para a balada. Infelizmente, se continuássemos fazendo isso, em duas semanas não teríamos leitos de UTIs”, enfatizou à Gazeta.
Questionado sobre o risco de a situação sair do controle no Estado, como tem ocorrido em outras regiões do país, Arns destacou que todas as projeções estão factíveis ao erro. “Tudo dependerá de quanto a população seguirá as orientações. Se forem seguidas, é quase certo que o caos será evitado”, frisou.

Cenário atual
Os boletins divulgados diariamente pela Secretaria de Estado de Saúde do Paraná (Sesa) têm mostrado que há fundamento na previsão de Arns. A cada dia o número de casos está crescendo significativamente e a situação nos hospitais piora, sem falar na tensão que provoca o número reduzido de leitos de tratamento intensivo (UTI), que tem feito com que o Estado reestruture constantemente a forma de regulação desses leitos, de acordo com a demanda. 
Nessa quinta-feira (18), por exemplo, o boletim revelou que ocorrem, em média, 121 confirmações de Covid-19 por dia, no Paraná. Só ontem (18), foram notificados 832 novos casos e 20 óbitos pela infecção causada pelo novo coronavírus. 
Até a quinta-feira (18), o Paraná somava 11.919 casos e 406 mortos em decorrência da doença. Entre os casos, 445 pacientes estavam internados; 309 estavam em leitos SUS, sendo 136 em UTI e 173 em leitos clínicos/enfermaria, e 136 em leitos da rede particular, sendo 52 em UTI e 84 em leitos clínicos/enfermaria.
Segundo a Sesa, ainda havia outros 857 pacientes em leitos UTI e enfermaria que aguardavam resultados de exames, em leitos das redes pública e particular, considerados casos suspeitos.

Previsão para hoje
A previsão para esta sexta-feira (19), segundo o professor doutor em Administração, Abdinardo Moreira Barreto de Oliveira, da UTFPR de Pato Branco, aponta entre 12.085 e 12.516 o número de casos confirmados no Paraná.
Segundo ele, a curva no Estado continua exponencial, extrapolando as expectativas, e os dados não permitem estimar quando será o ponto de inflexão, ou seja, o dia do pico.
Já em Santa Catarina, o ponto de inflexão foi no dia 8 de junho, ou seja, lá as taxas estão decrescentes, assim como no Rio Grande do Sul, onde o ponto de inflexão foi em 7 de junho. “Portanto, em termos de tentativa de controle do Covid-19, nos três estados da região Sul do país, somos o pior. O interessante é que em abril éramos o melhor estado entre eles”, revelou.

Pato Branco
O professor doutor Abdinardo também destacou que o município de Pato Branco segue a tendência do Estado, ou seja, está numa curva exponencial. “Logo, não dá para estimar o ponto de inflexão”, enfatizou.

Macrorregião Oeste
Ainda há quem pense que em Pato Branco, ou nos demais municípios da região Sudoeste, a pandemia não será um grande problema como tem sido nos grandes centros, porque a situação está aparentemente controlada. 
Mas a realidade é que o Sudoeste, composto pelas 7ª e 8ª regionais de saúde, referentes às microrregiões de Pato Branco e Francisco Beltrão, respectivamente, faz parte da macrorregião Oeste, dentro do sistema de saúde da Sesa. 
Essa macrorregião, formada por cerca de dois milhões de habitantes, contempla também microrregiões importantes e populosas, como a de Foz do Iguaçu (9ª RS), Cascavel (10ª RS) e Toledo (20ª RS), que também possuem um número reduzido de leitos UTI e estão em situação crítica em relação aos casos de coronavírus.
Fazer parte da macrorregião permite que o Estado direcione pacientes para leitos UTI em qualquer uma das microrregiões. Assim, leitos vagos em Pato Branco e Francisco Beltrão, por exemplo, podem ser ocupados por pacientes das microrregiões de Foz, Cascavel e Toledo, caso não haja mais vagas nessas regiões. Reduzindo as chances de vaga para pacientes locais. 
O cenário macrorregional é preocupante. Em Toledo, por exemplo, um surto de coronavírus na cadeia pública superlotada fez disparar o número de casos na região. Até o último domingo (14) foram notificados 122 casos positivos entre os encarcerados. 
De acordo com o boletim da Sesa de ontem (18), havia um total de 519 casos, com 108 recuperados, 10 óbitos e 254 suspeitos aguardando resultado de exames.
Em Cascavel, o boletim apontou um total de 1.685 casos, 277 recuperados, 33 óbitos e 175 suspeitos em análise. Para Foz do Iguaçu, 397 casos, 134 recuperados, 4 óbitos e 191 suspeitos em análise.

Medidas 
Por isso, as autoridades de saúde enfatizam tanto a necessidade do isolamento social, do uso de máscaras e da higienização correta das mãos para reduzir ao máximo as possibilidades de contaminação pelo vírus e a necessidade de internação hospitalar e de um tratamento mais intensivo, que leva a ocupação de leitos UTI.
Inclusive ontem (18), diante desse momento crítico em que passa o Estado, a secretária municipal de Saúde de Pato Branco, Márcia Fernandes de Carvalho, divulgou um vídeo nas redes sociais do Município pedindo para que a população se conscientize sobre a gravidade do momento e que respeite as determinações de saúde, sobre a não aglomeração e o uso obrigatório de máscara. 

Taxa de ocupação
Nessa quarta-feira (17), por exemplo, veículos de comunicação divulgaram que há risco de colapso no sistema de saúde na macro Oeste, porque enquanto cresce a ocupação dos leitos UTI, cresce também o número de casos confirmados de coronavírus.
O boletim da Sesa dessa quinta (18) informou que o quadro de leitos hospitalares SUS exclusivos para pacientes adultos com Covid-19, suspeitos ou confirmados, na macrorregião Oeste, estava com 67% da capacidade dos leitos UTI ocupada, ou seja, 66 leitos dos 99 existentes. Em relação à enfermaria, a taxa de ocupação era de 34%, ou seja, 52 leitos dos 155 existentes. 

Pato Branco segue a tendência do Estado. Os pontos em vermelho são os dados atuais, a linha preta contínua são as previsões
e as linhas azuis pontilhadas são os limites

 

 

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