Pato Branco

“A APP defende que as aulas presenciais sejam implantadas apenas quando houver a vacinação dos profissionais da educação”

Ainda não há previsão para o retorno das aulas presenciais nas escolas públicas - Foto: AEN

O presidente da APP Sindicato de Pato Branco, Everson Lopes, foi convidado pelos vereadores Claudemir Zanco (PL), Marcos Junior Marini (Podemos) e Romulo Faggion (PSL), para explanar na sessão dessa segunda-feira (5), da Câmara Municipal, sobre as aulas presenciais.

Porém, apesar de ter aceito o convite, por motivos pessoais não conseguiu participar da sessão. A reportagem do Diário do Sudoeste entrou em contato com Lopes, que concedeu entrevista.

Diário do Sudoeste – Como a APP Sindicato avalia a situação atual da Educação no Estado do Paraná, por conta da pandemia?

Everson Lopes – Com a pandemia ocorreu o aprofundamento das disparidades educacionais, já que o modelo adotado pela Seed (Secretaria de Estado do Educação do Paraná) não consegue chegar a todos os estudantes. E os profissionais, muitas vezes, não possuem os recursos necessários para oferecer e acompanhar as aulas pelo formato on-line ou mesmo pelos kits impressos.

A Seed tem priorizado uma avaliação do processo de forma quantitativa, como número de aulas on-line, realizadas. Porém, é necessário avaliar todo esse processo, que já acumula mais de um ano, de forma qualitativa, levando em conta a aprendizagem e o contexto que os estudantes estavam inseridos durante a pandemia.

Qual a avaliação sobre o modelo híbrido de retorno às aulas presenciais que deverá ser adotado pela Seed?

A APP defende que as aulas presenciais, ou mesmo o formato híbrido, sejam implantadas apenas quando houver a vacinação dos profissionais da educação e com a garantia de segurança com a adequação da estrutura física e sanitárias das escolas.

O formato de modelo híbrido deve sobretudo respeitar a autonomia das escolas e as especificidades locais, sem engessamento e padronização de instrumentos e métodos. A Seed deve traçar as políticas e fornecer a condições para que as escolas executem a melhor forma de chegar até as famílias e os estudantes.

Qual é a forma mais segura de retorno às aulas presenciais?

Será necessário avaliar o período e o comportamento do vírus e suas variantes, e como avança a vacinação e seus efeitos. A avaliação deve ser conjunta com os profissionais de educação e as autoridades sanitárias.

O Sistema está preparado para esse retorno?

É necessário adequar as estruturas das escolas, tanto o prédio, desde itens simples como caixa d’água, ventilação, banheiros, corredores, e a gestão de horários e turmas de forma diferenciada. Não é possível acreditar que estamos em uma situação de normalidade que basta voltar às escolas, como o início de ano letivo anterior a realidade da pandemia.

O modelo de aulas online adotado pela Seed no momento está representando algum prejuízo para alunos e professores, na visão da APP?

Há muitos prejuízos, como a quebra da autonomia das escolas, a opção por avaliar o processo de forma quantitativa em detrimento da aprendizagem, deixando de lado o fundamental que é manter os vínculos entre estudantes, profissionais da educação e as famílias. Inundar as escolas de atividades e tentar reproduzir o ambiente das escolas em plataformas tem causado adoecimento aos profissionais de educação e aos estudantes diante o excesso de multitarefas e o tempo diante de telas.

Quais são hoje as principais reivindicações da categoria?

A principal demanda da categoria é a vacina para todos e a defesa da vida para o retorno das aulas presenciais e da rotina escolar, para assim retomar outras reivindicações, como a valorização profissional, carreira, formação continuada, jornada de trabalho, entre outras.

É necessário frisar que neste período todas as categorias, do serviço público e privado, têm buscado se superar e fazer o melhor, não tem sido diferente para os profissionais da educação que em nenhum momento deixaram de atender as comunidades.

Todavia, a forma de gestão adotada pelo empresário Renato Feder e do Governo Ratinho Jr. tem deixado de lado o que realmente importa para a educação, que é a aprendizagem e valorização humana dos profissionais, estudantes e famílias.

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