Pato Branco

Alimentos orgânicos são vendidos online através do projeto Cesta Saudável

Pensando na população que prefere consumir alimentos saudáveis e não pode sair de casa em razão da pandemia, assim como também nos consumidores que escolhem a praticidade da compra online, está sendo disponibilizado um site de aquisição virtual de alimentos orgânicos e artesanais, com entrega a domicílio ou de forma interativa com os produtores, nas Feiras de Produtos Orgânicos e Artesanais nos Bairros de Pato Branco.

A iniciativa, chamada de Cesta Saudável, é vinculada ao Projeto Regional Plataforma da Comida Saudável, desenvolvido pelo Fórum Regional das Organizações e Movimentos Sociais do Campo e da Cidade.

Em Pato Branco há uma comissão municipal que desenvolve as ações em torno do debate do alimento saudável produzido pelos agricultores agroecológicos e da agricultura familiar, com interação entre o campo e a cidade, em conjunto com o Fórum Regional.

No município, o projeto é desenvolvido em parceria com o Sindicato dos Trabalhadores no Comércio, Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias Metalúrgicas Mecânica e de Materiais Elétricos, Associação de Estudos, Orientação e Assistência Rural (Assesoar), Centro de Apoio e Promoção da Agroecologia (Capa), Cooperativa dos Produtores de Orgânicos e Agroecológicos do Sudoeste do Paraná (Coopervereda), Rede Ecovida de Agroecologia, Polo de Pesquisa e Inovação de Pato Branco do IDR-Paraná, curso de Agronomia da UTFPR e Secretaria Municipal de Agricultura, com apoio da Cresol União dos Pinhais.

Como funciona

Através do site //pb.cestasaudavel.com.br, o consumidor faz a escolha dos alimentos que deseja adquirir e clica na opção ‘adicionar na cesta’. São mais de cem produtos à disposição, entre frutas, hortaliças, temperos, grãos, farinhas, bolachas, pães, cucas, conservas, compotas, geleias, queijos, embutidos, vinagres, vinhos, sucos de frutas, entre outros.

De acordo com a engenheira agrônoma Elisângela Bellandi Loss, da Assesoar, para que tudo saia como o esperado, o consumidor deve verificar na cesta de compras a quantidade desejada de cada produto selecionado, para então fechar o pedido. Deve preencher todos os dados necessários corretamente e informar onde e qual horário pretende receber ou retirar sua cesta. O pagamento deve ser feito no ato da compra online, através de cartão de crédito.

Os alimentos disponíveis para aquisição no site atendem as normas sanitárias e legais da produção e transformação da legislação brasileira. O modelo de produção preza pela preservação do meio ambiente e pela saúde e bem-estar das famílias agricultoras e consumidoras.

A consumidora Eliane Defacio foi uma das primeiras a utilizar a plataforma online para adquirir os produtos orgânicos oferecidos na feira. Ela contou que reside em Pato Branco e também em Curitiba, e que na capital está acostumada a comprar os produtos, mas que em Pato Branco ainda havia dificuldade. Porém, agora com essa iniciativa ficou bem mais fácil.

Entrega ou retirada

Elisângela explicou as duas formas de entrega dos alimentos. Na feira, sem custo adicional, ou em domicílio, com custo da taxa de entrega.

As feiras são realizadas semanalmente, às quintas-feiras, das 7h às 9h30, no pavilhão da Igreja Nossa Senhora de Fátima, no bairro Jardim Primavera, e das 10h30 às 12h30, no Sindicato dos Trabalhadores da Metalurgia, localizado na rua Fiorelo Zandoná, 977, no bairro Cristo Rei. A retirada das cestas nas feiras são realizadas na forma de drive thru.

Já na modalidade a domicílio ou delivery, as cestas são entregues também nas quintas-feiras, mas o consumidor pode escolher o horário da entrega conforme descrito no site e indicado no momento da compra.

Contudo, segundo Elisângela, o consumidor deve observar que os pedidos precisam ser efetuados no site até a noite de terça-feira, para haver tempo hábil para a montagem das cestas e entrega na quinta, garantindo assim a organização e preservando a qualidade dos alimentos. Os pedidos feitos posteriormente somente serão entregues na semana seguinte.

Fórum Regional

João Carneiro, do Sindicato dos Comerciários de Pato Branco, representante do Fórum Regional das Organizações e Movimentos Sociais do Campo e da Cidade, explicou que o fórum foi criado em 1980 e agrega cerca de 20 entidades.

Sobre a ação das cestas nas feiras, ele contou que iniciativas anteriores ocorreram ainda em 2017, com outras ferramentas, através de e-mail e whatsapp, porém ainda havia a dificuldade de acesso e também de administração e gestão.

“A iniciativa do Fórum em conjunto com o Polo de Pesquisa e Inovação de Pato Branco do IDR-Paraná, curso de Agronomia da UTFPR e Secretaria Municipal de Agricultura, em relação às feiras e cestas começou com o intuito de juntar o trabalho desenvolvido no campo e na cidade. Além de proporcionar um alimento saudável, de qualidade, também foca na conscientização dos trabalhadores urbanos com a saúde e a preservação do meio ambiente, pois os produtos comercializados são de origem orgânica, e foca ainda na valorização desses produtores”, destacou.

Comissão Municipal

Elisângela explicou que através do Fórum Regional cada município criou uma comissão municipal. Na Comissão Municipal da Plataforma da Comida Saudável de Pato Branco estão presentes várias entidades de apoio. O intuito da comissão, segundo ela, é fortalecer as feiras nos bairros e possibilitar que os consumidores tenham acesso aos alimentos orgânicos e coloniais diferenciados.

Elisângela contou que o site foi debatido neste momento de pandemia devido a necessidade de ampliar o acesso das pessoas a alimentos de qualidade e que já está ativo após passar por duas semanas de testes.

“A plataforma da Comida Saudável, além de fortalecer a comercialização, também tem buscado disponibilizar acesso aos alimentos da agricultura familiar para as famílias que estão em situação de vulnerabilidade social, através das ações de solidariedade, como foi realizado no último fim de semana, em Pato Branco”, destacou.

Logística

O professor Miguel Angelo Perondi, do curso de Agronomia da UTFPR, explicou que no passado, quando houve a primeira tentativa de oferta dos produtos, também foi através de cestas, mas o maior problema enfrentado era a logística. “Tínhamos agricultores de diferentes regiões, que deveriam trazer o produto, e esse problema de logística começou a sabotar a iniciativa, porque não se conseguia cumprir com os prazos e os produtos encomendados pelos consumidores na cesta. Isso fez com que o projeto fosse abortado em 2018. Neste mesmo ano começou a realização das feiras nos bairros, e agora estamos unido as duas iniciativas, pois a logística da feira está possibilitando alavancar a plataforma novamente, porém em um site planejado”, frisou.

Perondi explicou também que os produtos oferecidos são orgânicos, mas que o benefício do consumidor em relação à qualidade vai além, pois o sistema de produção desses alimentos é preservado. “Temos agricultores agroecológicos e uma certificação por trás desse trabalho, concedida pelo Ministério da Agricultura. Esses produtores têm autorização para dizer que são orgânicos e o selo representa essa qualidade”, enfatizou.

Marcos Jamil Auache, agrônomo da Secretaria Municipal de Agricultura, destacou que acima de tudo está a confiança que o consumidor deposita nesses produtos e nas entidades que estão por trás desse processo. “O melhor é caminhar para uma cadeia produtiva curta, onde o consumidor tem o contato direto com o feirante e o produtor, que passa a saber quais são os produtos mais aceitos pela população, e assim foca mais a sua produção nesses produtos”, observou.

Produção

Norma Kiyota, coordenadora do Polo de Pesquisa e Inovação de Pato Branco do IDR-Paraná, que contempla o Iapar e a Emater, destacou que é importante observar que a produção orgânica tem períodos de safra, o que indica que em alguns períodos haverá determinados produtos e em outros não.

“O tomate, por exemplo, não é ofertado o tempo todo, em alguns períodos haverá só o molho de tomate. Diferente dos supermercados, que oferecem o ano todo, mas tomates em outras condições de produção, não orgânicas, que muitas vezes são trazidos de outros estados. Porém, para produzir fora de época será preciso utilizar muito veneno e aplicar vários processos. Nas feiras e cestas, oferecemos um produto local, da região, sem problemas de transporte, porque a maior parte dos produtos são colhidos no dia anterior a feira para serem oferecidos ainda frescos ao consumidor”, enfatizou.

Genésio Berns, presidente da Cooperativa dos Produtores Orgânicos e Agroecológicos do Sudoeste do Paraná (Coopervereda), explicou que a entidade foi formada para unir os produtores locais e regionais, ampliando a diversidade de alimentos ofertados, devido as condições climáticas, que possibilita serem produzidos em um determinado local, possam também ser oferecidos a toda região, pois há uma troca de produção entre os agricultores.

Ele contou que atualmente a cooperativa conta com 46 famílias agricultoras associadas e que 22 dessas famílias já possuem a certificação de alimentos orgânicos da Rede Ecovida de Agroecologia e as demais estão em processo de transição.

A cooperativa conta também com a cozinha industrial, onde são manipulados os alimentos para a oferta fora de época, através das conservas, compotas e geleias, como por exemplo o molho feito de tomates.

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