Pato Branco

Após 14 anos atuando na Vara da Infância e Juventude, promotor Raphael Adalberto Soares deixa Pato Branco

Raphael Adalberto Soares é promotor de Justiça há 22 anos e atua em Pato Branco há 14 anos - Foto: Arquivo Rodinei Santos

O promotor da Vara da Infância e Juventude de Pato Branco, Raphael Adalberto Soares, vem atuando no município há 14 anos e agora está de partida para Curitiba, onde dará sequência à sua carreira.

A reportagem do Diário do Sudoeste conversou com o promotor sobre o trabalho desenvolvido no município ao longo desses anos, os desafios enfrentados e as realizações nessa profissão que ajuda a amparar e proteger crianças e adolescentes, além de garantir que seus direitos sejam defendidos.

Natural de Francisco Beltrão, Raphael Adalberto Soares, está há 14 anos trabalhando em Pato Branco, mas atua como promotor de Justiça há 22 anos.

Carreira

Graduado em Direito pela Universidade Federal do Paraná – 1998, Raphael é formado pela Escola Superior do Ministério Público do Paraná – Núcleo Curitiba –1996; foi aprovado em Concurso para Ingresso na Carreira de Promotor de Justiça do Ministério Público do estado do Paraná –1999; é promotor de Justiça desde abril de 1999.

Atuou como promotor substituto nas comarcas de Londrina, Cornélio Procópio e Lapa. Foi promotor titular nas comarcas de Barracão, São João do Ivaí, Palotina, Capanema e Pato Branco, onde exerce funções junto à 3ª Promotoria de Justiça da Comarca, desde 2006, com atribuições nas seguintes áreas: Proteção à Criança e ao Adolescente, Vara de Família, Registros Públicos e Acidentes de Trabalho.

No magistério é ex-professor da Disciplina Direito da Criança e do Adolescente na Escola da Magistratura do Paraná, Núcleo de Pato Branco (PR); ex-professor da Disciplina Direito da Criança e do Adolescente na Faculdade de Direito Mater Dei de Pato Branco (PR).

Diário do Sudoeste – Por que vai deixar o município e ir para Curitiba?

Raphael Adalberto Soares – Motivos familiares. Minha filha mais velha já faz faculdade em Curitiba. A mais nova logo irá pelo mesmo caminho. A pandemia mostrou para nós o que é realmente importante.

Como foi trabalhar em Pato Branco?

Foi desafiador e realizador ao mesmo tempo. Também cumpri o sonho do meu falecido pai, que era cartorário e por muitos anos tentou vir trabalhar aqui e não conseguiu.

Qual foi o maior desafio?

Ser beltronense em Pato Branco.

O que mais assustou na realidade local?

Descobrir a história do bairro São João.

Qual o momento de maior alegria/satisfação ao exercer a função por aqui?

As adoções concretizadas.

Como foi o trabalho desenvolvido junto ao Conselho Tutelar?

Temos bons conselheiros tutelares. Alguns realmente excelentes. De modo geral as cidades estão bem atendidas. O órgão como constituído em lei possui alguns desafios a serem vencidos, aperfeiçoado.

Como você avalia a realidade e a ressocialização dos jovens em Pato Branco?

A rede de atendimento é fantástica. Os profissionais engajados e competentes. O problema são as famílias dos adolescentes, o envolvimento deles com o tráfico.

Qual o problema mais recorrente que acaba levando os jovens ao Centro de Socioeducação (Cense)? A situação é preocupante?

Tráfico de drogas. A situação é desesperadora.

Qual a atual situação do Cense de Pato Branco?

A unidade possuiu profissionais incrivelmente bons. O problema é a  estrutura física, o prédio.

Como está o andamento da implantação da nova estrutura?

Há uma ação civil pública julgada procedente aqui e atualmente em recurso no TJPR. O Estado vai ganhando tempo e administrativamente não há movimentação.

Quais principais benefícios para os jovens e para a sociedade?

Sem o Cense, adolescentes infratores que praticam atos graves serão levados para a delegacia e soltos logo após. Isso é bom?

A questão da violência reduziu ou aumentou com a pandemia?

Aumentou. Casos de violência física e psicológica. Maior parte contra crianças.

Qual o seu entendimento sobre a volta às aulas presenciais nesse momento pandêmico? Considera prematura ou necessária?

As escolas estavam fechadas para o presencial desde o começo da pandemia. Então prematuro não. Nunca. Na verdade perdemos a chance de retornar em setembro/outubro de 2020.

O retorno é necessário pelas perdas que os alunos já enfrentaram e também por não ser a escola o ambiente causador da atual situação. Lembrem, estavam fechadas.

O que ainda precisa ser feito em Pato Branco para proteger e auxiliar crianças e jovens, principalmente os mais vulneráveis?

Não só Pato Branco, o Brasil precisa dar à educação a mesma importância que dá ao futebol, aos jogadores de futebol e a bebida. Precisa ser o sonho das famílias e não pode faltar.

As políticas públicas nessa área são suficientes?

Nunca serão.

Quais são as alternativas?

Cumprir a Constituição e o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), dando prioridade absoluta às políticas para criança e adolescentes.

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